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Resultado
IEM - 23 de Julho de 2003
São
Bernardo ganha título de eficiência na gestão
do IPTU.
São
Bernardo, Município da Grande São Paulo, é
campeão em eficiência financeira no ranking do IPTU
(Imposto Predial e Territorial Urbano) anunciado hoje pelo IEME
(Instituto de Estudos Metropolitanos), organização
sediada em Santo André que promove profunda radiografia
dos 55 municípios economicamente mais representativos do
Estado de São Paulo, responsáveis pela produção
e consumo de perto de 80% da riqueza estadual.
Decidido
em assembléia de mais de duas horas, ontem à noite
no Centro de Convenções do Hotel Plaza Mayor, em
Santo André, o ranking do IPTU é o segundo indicador
do Índice de Eficiência Municipal anunciado pelo
IEME em parceria com a Target Marketing e Pesquisas, empresa da
Capital paulista que há 20 anos atende o mercado nacional.
Anteriormente foi construído o ranking do custo do funcionalismo
municipal que consagrou Carapicuíba, na Região Metropolitana
de São Paulo, como a mais eficiente. Paulínia, na
Grande Campinas, foi a última colocada entre as 55 cidades.
O ranking
de eficiência na gestão do IPTU refere-se exclusivamente
aos números oficiais dos municípios derivados da
arrecadação do tributo no ano de 2001. Isso significa
que não há qualquer avaliação do IEME
sobre a gestão administrativa do imposto. Ou seja: o exame
não desce a detalhes sobre o perfil da arrecadação
em aspectos setoriais, geográficos e socioeconômicos,
porque as prefeituras não disponibilizam essas informações.
O Conselho
Consultivo do Instituto de Estudos Metropolitanos, formado por
empresários, acadêmicos, advogados, economistas e
jornalistas, entre outros profissionais, decidiu pela metodologia
do ranking do IPTU levando-se em conta um único quesito:
a média do custo por morador de cada Município confrontada
com a média per capita dos 55 municípios. O potencial
de consumo da Target transformou-se em âncora dos cálculos.
São Bernardo, de 703 mil habitantes, foi a cidade que mais
se aproximou do indexador estadual, resultado da média
per capita do potencial de consumo dividida pela média
per capita do IPTU.
As 10 mais
e as 10 menos -- Pela ordem, as 10 primeiras colocadas: São
Bernardo, Mogi das Cruzes, São Carlos, Campinas, Cotia,
Diadema, Rio Claro, Cajamar, Araras, São Paulo e Guarulhos.
Já a lista dos 10 últimos colocados é a seguinte,
a partir da 55ª posição: Mogi-Guaçú,
Guarujá, Barueri, Taboão da Serra, Jaguariúna,
Praia Grande, Carapicuíba, São Sebastião,
Sumaré e Hortolândia.
Os conselheiros
do Instituto de Estudos Metropolitanos debateram a possibilidade
de o ranking do custo do IPTU nos principais municípios
paulistas associar a divisão de dois indicadores principais.
O primeiro considerava para efeitos classificatórios o
índice decorrente da simples divisão do potencial
de consumo per capita de cada Município pelo custo igualmente
per capita do imposto. O segundo indicador considerava a divisão
do potencial de consumo per capita de cada Município pelo
custo per capita do IPTU confrontado, em seguida, com o custo
médio per capita dos 55 municípios. A escolha acabou
recaindo sobre a segunda alternativa.
"A utilização
do menor custo per capita sem qualquer relação com
o eixo médio dos municípios pesquisados favoreceria
o uso do IPTU como ferramenta político-eleitoral. Aliás,
é o que possivelmente já vem ocorrendo, face aos
dados disponíveis. Por isso não teria sentido lubrificar
essa engrenagem" -- ponderou um dos conselheiros do IEME,
o engenheiro Nelson Tadeu Pereira, ex-executivo do Grupo Rhodia,
ex-secretário de Desenvolvimento Econômico de Santo
André e hoje empresário.
Para o professor
universitário Sérgio Munhoz, a escolha do indicador
que indexa o ranking do custo do IPTU ao custo médio per
capita dos municípios do universo pesquisado utilizando
o potencial de consumo como balizador instala os estudos num patamar
de referências para a próxima edição,
no ano que vem. "Já temos um índice médio
dos 55 municípios sobre o qual São Bernardo apresentou
maior aproximação e que, a partir de agora, vai
servir como baliza às demais administrações
públicas" -- ponderou o acadêmico.
Como chegar
ao título -- São Bernardo chegou ao título
de maior eficiência na cobrança do Imposto Predial
e Territorial Urbano ao registrar receita por morador de R$ 122,37.
Os dados, relativos a 2001, mostram que São Bernardo arrecadou
R$ 86 milhões com o IPTU. O índice de 99,90 pontos
num total máximo de 100,00 foi alcançado pela Prefeitura
de William Dib porque na divisão do potencial de consumo
per capita pelo custo per capita do IPTU, São Bernardo
atingiu 0,01472, enquanto a média dos 55 municípios
é de 0,01469.
Daniel Lima,
coordenador de análises do Instituto de Estudos Metropolitanos,
explica que alcançam maior pontuação no ranking
de eficiência na cobrança do IPTU os municípios
que mais se aproximaram da média geral: "São
Bernardo conta com potencial de consumo per capita de R$ 8.316,03
e um custo por morador com o IPTU de R$ 122,37. Basta a divisão
simples de um número pelo outro para se chegar a 0,01472,
semelhante à média geral" -- explica o dirigente
do IEME.
A preocupação
dos conselheiros do Instituto de Estudos Metropolitanos se concentrou
na aplicação do conceito do potencial de consumo
de cada Município como centralidade dos resultados, e não
especificamente no valor nominal do custo per capita do IPTU.
Por isso Mogi das Cruzes, com custo per capita inferior ao de
São Bernardo (R$ 84,84 contra R$ 122,37) classificou-se
em segundo lugar: "O potencial de consumo per capita de Mogi
das Cruzes, de R$ 5.725,20, é inferior ao de São
Bernardo. Por isso, mesmo apresentando menor custo nominal per
capita, Mogi das Cruzes recebeu pontuação menor.
Afinal, seu índice de 0,01482 ficou menos próximo
do de São Bernardo em relação ao índice
geral" -- teoriza o conselheiro José Batista Gusmão,
ex-executivo da Bridgestone Firestone e hoje empresário.
O jornalista
André Marcel de Lima defendeu a centralização
do ranking no conceito da média geral dos 55 municípios,
excluindo as demais alternativas, por considerar que a perspectiva
de contemplar o menor valor per capita do IPTU consagraria municípios
que se utilizam da guerra fiscal para atrair investimentos: "Todo
administrador público que abre mão de receitas tributárias,
mesmo para finalidades que estimulem a atratividade empresarial,
não pode obter a consagração num ranking
em que a eficiência é o norte porque desequilibra
o jogo da competitividade através de um artifício
que, direta ou indiretamente, alguém acabará por
pagar a conta" -- ponderou.
Como chegar
em último -- Mogi-Guaçú ocupa a última
posição entre os 55 municípios porque o índice
final alcançado -- de 0,00300 -- está muito distante
do 0,01469 da média geral. O custo per capita do IPTU em
Mogi Guaçú em 2001 foi de apenas R$ 15,66. O potencial
de consumo per capita da cidade localizada na Grande Campinas
é de R$ 5.213,59. Com potencial de consumo semelhante,
de R$ 5.288,19, Diadema, no Grande ABC, chegou em sexto lugar
na classificação final. O custo do IPTU per capita
de Diadema alcançou R$ 72,25 em 2001. Um resultado muito
mais próximo da média geral.
Não
são apenas os municípios que subestimam a cobrança
do IPTU que se deram mal no ranking do Instituto de Estudos Metropolitanos.
Também as cidades do Litoral, cujos valores per capita
relacionados ao potencial de consumo estão muito acima
da média geral, tiveram posicionamentos comprometidos.
Guarujá ficou na penúltima colocação.
Com potencial de consumo per capita de R$ 4.828,38 em 2001, Guarujá
arrecadou por morador R$ 338,99. Com isso, o índice per
capita final atingiu 0,07021, muito distante da média geral
de 0,01469. Com potencial de consumo per capita semelhante ao
de Guarujá, Cajamar (R$ 4.549,57) chegou em oitavo lugar
no ranking geral. Tudo porque o custo per capita do IPTU alcançou
R$ 73,89 e o índice geral per capita 0,01624, um pouco
abaixo da campeã São Bernardo. |