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Resultado
IEM - 10 de Julho de 2003
Carapicuíba
e Paulínia são extremos nos gastos com o funcionalismo
público.
Vítima
de grande equívoco na distribuição do ICMS
(Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços),
principal fonte de receitas dos municípios paulistas, Carapicuíba,
na Região Metropolitana de São Paulo, é campeã
do Índice de Eficiência Municipal no quesito funcionalismo
público do setor Executivo, conforme resultado apurado
pelo IEME (Instituto de Estudos Metropolitanos). Em contraste,
Paulínia, na Região Metropolitana de Campinas, fortemente
privilegiada pela distribuição de ICMS, é
a lanterninha do mesmo ranking. Uma espécie de Capital
dos Gastos Públicos entre as 55 cidades mais importantes
do Estado de São Paulo.
O resultado
final do primeiro entre vários quesitos que vão
compor o Índice de Eficiência Municipal está
sendo anunciado hoje, segunda-feira, pelo Instituto de Estudos
Metropolitanos, via Internet para todos os municípios paulistas.
O trabalho foi coordenado pelo pesquisador Marcos Pazzini, executivo
da Target Marketing e Pesquisas, e pelo jornalista Daniel Lima,
diretor da revista LIVRE MERCADO, que circula há 13 anos
no ABC Paulista.
Para Daniel
Lima, a disparidade dos dados entre o primeiro e o último
colocado do ranking de Eficiência Municipal no quesito custo
do funcionalismo público é apenas a ponta de um
novelo de complicações que deveria ser tratado com
mais empenho e responsabilidade pelos detentores de mandatos públicos,
especialmente deputados estaduais. "A gastança com
o funcionalismo público expressa nos números de
Paulínia e de outros municípios claramente beneficiados
pelo sistema de repartição de ICMS não pode
continuar, sob pena da perpetuação das disparidades
sociais" -- afirma o jornalista.
Com população
de 344.596 habitantes, Carapicuíba arrecadou apenas R$
80,6 milhões em 2001, ano-base da pesquisa do IEME. Já
Paulínia, com 51.325 mil habitantes, arrecadou R$ 265,1
milhões. "A raiz dos problemas está na origem
dos recursos que garantem as receitas dos municípios"
-- completa Marcos Pazzini.
Seletivamente
industrializada nas áreas química e petroquímica,
Paulínia gera muito Valor Adicionado, critério sobre
o qual pesa 76% da distribuição do bolo de ICMS
aos municípios paulistas. Já Carapicuíba,
com poucas indústrias e população muito maior,
recebe migalhas derivadas do Valor Adicionado. "Da receita
total com que Carapicuíba contou em 2001, somando-se tributos
municipais, estaduais e federais, apenas 21,76% decorreu da distribuição
do ICMS, enquanto Paulínia contou com 64,02% com base nesse
imposto" -- explica Daniel Lima.
Diferenças
demais -- Carapicuíba sagrou-se campeã em menor
custo do funcionalismo público porque apresentou a melhor
combinação entre os três vetores metodológicos:
despesa per capita em relação à população
(R$ 86,91), despesa per capita em relação à
média de R$ 339,52 das 55 maiores cidades pesquisadas e
média entre receita arrecadada e despesa per capita com
o funcionalismo (37,12%).
A metodologia
foi definida após série de cruzamentos de dados
envolvendo os 55 municípios pesquisados pelo Instituto
de Estudos Metropolitanos. A aplicação de apenas
um ou dois dos três indicadores poderia gerar distorções.
"Atribuímos peso idêntico a cada um dos três
indicadores especialmente para dar balanço que permitisse
chegar a resultado o mais próximo possível do incontestável"
-- afirma Daniel Lima.
A diferença
que separa os gastos per capita entre Carapicuíba, a campeã,
e Paulínia, a lanterninha, é abissal: com receita
arrecadada geral per capita 21,48 vezes maior que Carapicuíba,
embora tenha 6,5 vezes menos moradores, Paulínia gasta
per capita 23 vezes mais para a manutenção do quadro
de funcionários públicos.
Campeã
em 52º lugar -- São Caetano, também na Região
Metropolitana de São Paulo, é uma das últimas
colocadas na lista de despesas per capita com o funcionalismo
público. Campeã do Índice de Desenvolvimento
Econômico Equilibrado que o IEME lançou há
três semanas, São Caetano cai na classificação
do funcionalismo porque gastou R$ 821,63 per capita, ou seja,
quase 10 vezes mais que a campeã Carapicuíba, sem
contar que também se distanciou do consumo médio
per capita dos 55 mais importantes municípios paulista
pesquisados pelo IEME.
São
Caetano apresenta número satisfatório apenas quanto
à divisão da receita da arrecadação
geral per capita pelo custo per capita do funcionalismo público,
de 38,50%, um dos mais reduzidos entre os municípios pesquisados.
Exatamente porque o caso de São Caetano não é
o único (Paulínia tem despesa per capita do funcionalismo,
quando comparada à receita per capita, de apenas 38,94%),
o Instituto de Estudos Metropolitanos não se limitou a
aferir a capacidade de gerenciamento financeiro apenas por esse
indicador. "Não há a menor sombra de dúvida,
pelos números que saltaram dos três indicadores,
que há predisposição maior de gastos entre
os municípios que estão entre os primeiros colocados
no ranking do Valor Adicionado per capita" -- sustenta o
jornalista Daniel Lima.
Primeiros
10 colocados -- A Capital paulista por pouco não levou
o título de melhor eficiência na gestão financeira
dos recursos humanos do Executivo, já que chegou em segundo
lugar a pouco mais de um ponto percentual da campeã Carapicuíba,
conforme mostram as planilhas. Na sequência, o quadro dos
10 melhores colocados tem Limeira, Americana, Mogi-Guaçu,
Sorocaba, Jaguariúna, Jundiaí, Piracicaba e Pindamonhangaba.
Inversamente,
os 10 últimos colocados, além de Paulínia,
são Cubatão, São Sebastião, São
Caetano, Cajamar, São José dos Campos, São
Bernardo, Ribeirão Preto, Santa Bárbara do Oeste
e Bauru.
Hora de
mudança -- A expectativa dos coordenadores da pesquisa
sobre os custos do funcionalismo público municipal volta-se
ao apressamento de medidas legais que possam eliminar as distorções
originárias em larga escala do excessivo peso do indexador
Valor Adicionado na distribuição do ICMS. "As
discussões que se estabeleceram até agora para tentar
sensibilizar os legisladores se concentravam na superfície
do quanto determinado Município recebia em termos per capita
a mais que os demais, mas agora a história é outra:
estamos provando que as distorções na aplicação
desses recursos colocam, por exemplo, a pequenina Paulínia
numa situação de principado e Carapicuíba
como eterna periferia da periferia da Grande São Paulo"
-- sustenta o jornalista Daniel Lima.
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