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| Está
na hora de acabar com essa farra nos Legislativos |
Alberto
Felske*
Desde
que o ser humano sentiu a necessidade de se organizar socialmente,
viu que precisava criar elementos disciplinadores que resultassem
no mínimo de organização, o que lhe melhoraria
a sobrevivência social resultando, obviamente, em sobrevida
mais confortável. E surgiram os legisladores, que se aglutinaram,
por esfera de atuação, em senados, câmaras
legislativas e, a nível municipal – que é
onde as coisas efetivamente acontecem – em câmaras
-- municipais.
Esses
aglutinados de legisladores precisaram criar um circulo administrativo,
custeado pelo erário auferido de receitas oriundas da cobrança
de impostos e taxas dos munícipes, repassadas pela Fazenda
do Executivo, sempre sob a vigilância arguta da lei que,
via de regra, eles próprios elaboram.
Nessa
miscelânea toda de leis, trabalhos legislativos, distribuição
de orçamento, destinação de verbas, alocação
de receitas, contabilização de gastos, abertura
de licitações, manutenção administrativa,
sessões solenes e festas temáticas que demanda da
atuação das câmaras municipais, cumpre a nós,
cidadãos comuns, avaliar como se tem gastado e que caminhos
têm sido dados ao dinheiro recebido na aprovação
dos orçamentos anuais e nas contemplações
dos planos plurianuais para os legislativos.
Essa
necessidade se torna mais viva quando tratamos dos centros metropolitanos,
pelo fato de serem estes os paradigmas dos municípios mais
afastados e interioranos.
Partindo
das regiões metropolitanas, podemos traçar um perfil
do que se tem feito com o erário público; podemos,
talvez até invocando a polêmica, verificar como existem
disparidades tremendas no custeio dos legislativos, especialmente
analisados tais custeios sob a ótica per capita, quando
se afere o que cada cidadão representa, em poder de contribuição,
na composição desses custos.
Olhando
para isso, alguns dos nossos, digamos, “pesquisadores”,
criaram uma falácia que diz que a eficiência dos
municípios pode ser explicada da seguinte forma: quanto
mais arrecado, mais posso aplicar. Em outras palavras, quanto
mais rico for o Município, mais riqueza pode distribuir.
Ocorre
que ditas riquezas não vão para a consecução
do trabalho público, o que seria de se esperar pelo fato
de que os municípios mais ricos têm nada ou quase
nada a executar.
E
aí, as pesquisas mais sérias, como as do IEME e
de alguns outros poucos Institutos sérios, apontam para
disparidades que gritam ante os olhos até do conhecedor
mediano da aplicação da coisa pública.
É
inconcebível que cidades que tenham a mesma densidade demográfica
com arrecadações extremamente diferentes, tenham
aplicação de recursos per capita em seus legislativos
inversamente proporcionais ao desempenho e eficiência que
preconizam. Ou, por outro lado, cidades que se julgam de Primeiro
Mundo, com arrecadações milionárias, aplicarem,
per capita, três a quatro vezes mais que suas lindeiras
com muito mais problemas e com uma população bem
maior e menos aquinhoada, sem uma explicação no
mínimo convincente.
Cidades
com grandes estatais (que por força de lei não retêm
impostos), cujas receitas ensejam grandes arrecadações,
se dão ao desplante de gastar com a voracidade de um gigante,
quando aquelas que não têm esse privilegio gastam
modestamente, algumas vezes até sacrificando seus legislativos,
mal dando conta de sua folha de pagamento.
Outro
fator que é preciso ponderar é que alguns legislativos,
por conta de estarem cumprindo rigorosamente a Lei de Responsabilidade
Fiscal, acabam “sem saber o que fazer” com suas verbas,
e passam a gastar à tripa forra, em atividades no mínimo
estranhas às suas finalidades e objetivos.
Para
onde vai toda esta verba? Em que está sendo gasta? Quem
ganha com o descabido mau uso? Como conter toda essa voracidade?
Qual mecanismo adotar para frear a carreira desabalada do descalabro
e do perdulário escroque e ignóbil de administradores
comprometidos com seu próprio ventre?
Em
primeiro lugar, os legisladores, eleitos pelo povo que lhes paga
os salários e as comodidades, precisam encontrar mecanismos
de contenção, trocando os reparos das torneiras
das quais jorra o dinheiro recebido do executivo, até por
questão de bom senso; precisam diminuir as sessões
solenes, os títulos honorários e as festas temáticas,
bem como enxugar seus gabinetes, até para que se tornem
mais eficientes e menos sujeitos ao escárnio publico.
Um
segundo “olheiro”, poderia ser o próprio Tribunal
de Contas do Estado, que já desempenha um importante papel
nessa miscelânea de informações e desinformações,
atuando em intervalos menores junto às contas dos legislativos,
apresentando sugestões de melhor utilização
do dinheiro empenhado na administração dos mesmos.
Outro
trabalho importante poderia ser desempenhado pelo Ministério
Publico, não esperando ocorrerem denúncias de desmando,
mas agindo preventivamente.
Uma
outra forma seria os legislativos apresentarem uma prestação
de contas aos munícipes, com ampla divulgação,
racionalizando os balancetes, deixando-os mais compreensíveis
ao leigo, até para que a própria população
se torne mais crítica e menos subserviente.
Curto
e grosso: os legislativos metropolitanos, para se tornarem mais
eficientes e menos vulneráveis, precisam aprender a racionalizar
seus custos, adequando-os à realidade da população
que os elegeu na esperança de ver seus anseios contemplados.
Sem perdularismo. E sem pensar que quem arrecada mais pode gastar
mais. O resto é falácia. Pura falácia.
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Alberto Felske é teólogo e conselheiro fundador
do Instituto de Estudos Metropolitanos. |