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| São
Bernardo tem IPTU mais ajustado* |
ANDRÉ
MARCEL DE LIMA**
São
Bernardo é campeã em eficiência financeira
na arrecadação do IPTU (Imposto Predial e Territorial
Urbano) entre os 55 municípios economicamente mais importantes
do Estado. O reverso da medalha é Santo André, 41º
colocado na classificação geral. Os dados oficiais
relativos ao exercício de 2001 e anunciados pelo IEME (Instituto
de Estudos Metropolitanos) são inédito referencial
para avaliação menos apaixonada desse tributo municipal
que gera alta dosagem de escaramuças político-eleitorais.
O
resultado não deixa sombra de dúvida: há
municípios que arrecadam demais e outros que arrecadam
de menos. O diagnóstico retirado de números oficiais,
entretanto, não faz juízo de valor sobre a gestão
administrativa dos recursos. A avaliação se prende
exclusivamente ao campo financeiro-arrecadatório: "Os
detalhes de receitas residenciais, comerciais, industriais, por
região geográfica e também por classe econômica
são uma caixa-preta na administração pública
à qual os contribuintes não têm acesso e não
constam de documento algum" -- afirma o jornalista Daniel
Lima, coordenador de análises do IEME.
Líder
do ranking, São Bernardo é o único Município
do Grande ABC cujo IPTU por morador está levemente acima
da média geral.
São
Bernardo arrecadou em 2001 R$ 86 milhões com IPTU, o que
significa R$ 122,37 por morador. O Potencial de Consumo por morador
é de R$ 8.316 anuais. A divisão desse valor pelo
custo per capita do IPTU resultou no índice 0,01472, contra
0,11469 da média geral. Com isso, a cidade administrada
por William Dib alcançou 99,90% de eficiência.
Diadema classificou-se em sexto lugar, ao arrecadar R$ 25,7 milhões
com o IPTU, ou média per capita de R$ 72,25. Como registrou
média por morador de Potencial de Consumo de R$ 5.288,
Diadema atingiu índice de 0,01366, um pouco abaixo da média
geral. Com isso, atingiu 92,94% de eficiência.
São Caetano classificou-se em 21º lugar, com arrecadação
de R$ 13,8 milhões e média per capita de R$ 99,03.
Embora recebesse mais recursos de IPTU per capita do que Diadema,
São Caetano perdeu posição no ranking porque
na divisão da média per capita de Potencial de Consumo
(R$ 9.316) pela média per capita do IPTU, alcançou
índice 0,010063, ou 72,31% de eficiência. Isso significa
que a administração pública tem espaço
para avançar na receita com o imposto em relação
à média geral dos 55 municípios.
Mauá ocupa a 23ª colocação, com arrecadação
do IPTU em 2001 de R$ 18,7 milhões e média por morador
de R$ 51,68. O Potencial de Consumo per capita de Mauá
em 2001 era de R$ 5.233. O índice alcançado chegou
a 0,00988, ou 67,18% de eficiência.
Santo André ocupa a 41ª colocação, com
arrecadação de R$ 34,4 milhões em IPTU. Esse
valor, dividido pela população, significa R$ 53
per capita. O Potencial de Consumo anual por morador de Santo
André em 2001 era de R$ 7.461. Com isso, no índice
geral do Estado chegou a 0,00710, ou apenas 48,32% no ranking
de eficiência do Instituto de Estudos Metropolitanos.
O ranking de eficiência coloca nas últimas posições
quem mais se distancia -- para cima ou para baixo -- da média
geral dos 55 municípios. Mogi-Guaçú é
a última colocada, com apenas 20,43% de capacidade gestora
do IPTU. O problema de Mogi-Guaçú é que o
valor médio do IPTU por morador é muito baixo --
apenas R$ 15,66, contra a média geral de R$ 104,84. Já
para Guarujá, penúltima colocada, a situação
é inversa: cobra demais IPTU (R$ 338,99 per capita), a
exemplo da maioria dos municípios do Litoral, que transformaram
esse imposto na principal fonte de receitas.
A
escolha dos critérios que determinaram a construção
do indicador de custo do IPTU dentro do Índice de Eficiência
Municipal do IEME foi definida durante encontro de conselheiros
consultivos no Hotel Plaza Mayor, em Santo André. O Instituto
de Estudos Metropolitanos está em fase final de formatação
jurídica, mas já apresenta série de estudos.
O primeiro macroíndice lançado pelo instituto é
o IDEE (Índice de Desenvolvimento Econômico Equilibrado),
liderado por São Caetano depois do cruzamento de dados
per capita relativos a Valor Adicionado, ISS, IPVA, Inclusão
Digital e Potencial de Consumo. Já o Índice de Eficiência
Municipal conta com dados do custo do funcionalismo e do custo
do IPTU por morador.
Ainda
na primeira semana de agosto o IEME vai lançar o terceiro
indicador de Eficiência Municipal. Provavelmente será
o ranking do custo do Legislativo em cada cidade. A definição
dos critérios será levada à reunião
de conselheiros em happy hour programado para 12 de agosto no
Plaza Mayor. Ex-secretário de Desenvolvimento Econômico
de Santo André, Nelson Tadeu Pereira é um dos integrantes
da comissão provisória que está definindo
o arcabouço legal do IEME, a ser apresentado também
na reunião de 12 de agosto. A solução encaminhada
para o tratamento jurídico do IEME é o da constituição
de uma empresa de direito privado sem fins lucrativos.
Nelson
Tadeu Pereira participou ativamente do encontro no Plaza Mayor
que definiu os conceitos do ranking do IPTU. A lista de presentes
é ampla. Reúne economistas, acadêmicos, jornalistas
e empreendedores privados, entre outros. O site www.ieme.com.br
já está disponível na Internet com amplas
informações sobre o instituto e também as
primeiras contribuições para o acervo de temática
metropolitana. Várias matérias publicadas originalmente
em LIVRE MERCADO constam do portal.
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Matéria publicada na edição de agosto de
2003 na revista LIVRE MERCADO.
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André Marcel de Lima é jornalista especializado
em regionalidade e membro-fundador do IEME.
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