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| Estado
da Grande São Paulo é a solução*
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ANDRÉ
MARCEL DE LIMA**
O
transbordamento dos problemas urbanos, sociais e econômicos
na Grande São Paulo dá vazão a uma proposta
tão polêmica quanto inovadora no panorama nacional:
a transformação da Região Metropolitana de
39 municípios e 17 milhões de habitantes em nova
unidade da federação brasileira. Isso mesmo -- a
transformação da Grande São Paulo em Estado
independente, dissociado do Interior Paulista e da Baixada Santista.
A
idéia nunca foi tão pertinente como neste momento,
em que a debilidade institucional, financeira e administrativa
da Região Metropolitana ficou escancarada pelo colapso
da segurança pública, que atingiu o ápice
com o bárbaro assassinato do prefeito Celso Daniel, de
Santo André.
Quem
sugere a criação do Estado da Grande São
Paulo é o norte-americano Norman Gall, diretor-executivo
do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial, sediado na Capital.
Norman Gall é um dos maiores estudiosos dos problemas que
afetam o Estado mais rico da federação. À
frente de um instituto internacional que tem como presidente honorário
o ex-ministro da Fazenda Rubens Ricupero, além de figuras
nacionais como o ex-ministro Luís Carlos Bresser Pereira
e o economista e sociólogo Eduardo Gianetti da Fonseca
no board diretivo, Norman Gall coloca o tema em discussão
por acreditar que muitos dos problemas que comprometem a região
mais rica do País -- incluindo o nervo exposto da segurança
pública -- poderiam ser debelados se a Grande São
Paulo gozasse de status jurídico e administrativo de Estado.
O
especialista lembra que outras localidades que passaram por problema
parecido de caos urbano e explosão populacional transformaram
grandes cidades e regiões em Estado para garantir a governabilidade.
Alguns exemplos são a região de Tóquio, promovida
à categoria de Estado em 1943, as cidades de Bremen e Hamburgo,
que são consideradas cidades-Estados no federalismo alemão,
além dos 17 maiores municípios da Espanha, que gozam
de institucionalidade federativa como regiões autônomas.
A
criação do Estado da Grande São Paulo proporcionaria
condições políticas, administrativas e materiais
para resolver -- ou pelo menos reduzir ao limite do suportável
-- não apenas a escalada da criminalidade, mas muitos outros
problemas que comprometem a sustentabilidade social e econômica.
Em primeiro lugar, a estadualização promove a sonhada
metropolização de fato: conectados a um ente federativo
exclusivo, os 39 municípios teriam melhores condições
geopolíticas para formar um corpo coeso de ações
integradas e sistêmicas.
Somente
a metropolização real da Grande São Paulo
já justificaria a mobilização de lideranças
e autoridades da Capital e seu entorno pela estadualização
da região. Afinal, é público e notório
que insistir na administração compartimentada dos
39 municípios é um atentado à lógica.
Muitos problemas que afetam várias cidades ao mesmo tempo
só podem ser combatidos com estratégias de coordenação
intermunicipal. "Um Município metropolitano não
pode despoluir um rio que passa em seu território se a
cidade vizinha, de onde vem esse rio, continuar jogando detritos
no leito. Da mesma forma, não é possível
traçar uma política de transportes isoladamente
quando grande parte dos veículos que trafegam no Município
é proveniente de cidades vizinhas" -- exemplifica
o economista Marcos Mendes, consultor do Senado Federal e membro
do Instituto Fernand Braudel.
"A
Região Metropolitana tornou-se grande e complexa demais
para ser administrada de maneira fragmentada, sem interação
intermunicipal para resolução de problemas comuns"
-- enfatiza Norman Gall, que se baseou em estudos de Marcos Mendes
sobre a governabilidade de São Paulo para formular a proposta
de criação do Estado da Grande São Paulo.
Não
é nova a constatação de que cidades conurbadas
e interdependentes precisam de gerenciamento integrado. Na década
de 60 os comandantes do regime militar criaram as primeiras regiões
metropolitanas do País. Mas a metropolização
levada a cabo naquela época serviu mais como instrumento
de controle do governo central sobre as regiões desenvolvidas
em torno das maiores Capitais do País do que propriamente
como estratégica de integração voltada para
combater a deficiência administrativa dos municípios
metropolitanos.
O
militarismo saiu de cena há mais de 15 anos, a Constituição
de 1988 abriu novas possibilidades de criação de
regiões metropolitanas -- convertidas pelas regiões
da Baixada Santista e de Campinas --, mas os 39 municípios
da Grande São Paulo continuam desconectados, salvo movimentos
espasmódicos de integração em questões
específicas e pontuais.
"A
Grande São Paulo precisa de algum tipo de autoridade metropolitana
para tratar problemas regionais endêmicos como segurança
pública, controle de enchentes, saneamento básico,
transporte, educação e meio ambiente" -- observa
Norman Gall. "A gerência eficiente de regiões
metropolitanas exige um conjunto de ações integradas
de planejamento, programação de orçamento,
desenvolvimento, operação e manutenção
de um centro metropolitano. E não é trivial fazer
isso quando se tem uma miríade de unidades e de órgãos
de governo politicamente autônomos. A integração
econômica e social de municípios metropolitanos exige
uma correspondente integração político-administrativa"
-- considera Marcos Mendes.
A
metropolização embutida na estadualização
traz outro benefício para a região repleta de problemas
urbanos, sociais e econômicos que muitas vezes extrapolam
as receitas ordinárias: a possibilidade de contratar empréstimos
e financiamentos a juros mais camaradas para projetos conjuntos.
Se deixar a metropolização da boca para fora para
assumir oficialmente a condição de ente de governo,
a Grande São Paulo terá a personalidade jurídica
exigida pelos credores, especialmente em se tratando do BNDES
(Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social),
a maior instituição brasileira de fomento público
e privado. "O BNDES tem interesse em conceder empréstimos
que tenham visão metropolitana, mas frequentemente nos
deparamos com a ausência de uma pessoa jurídica,
de uma instituição que ofereça garantias
em conjunto e que represente a metrópole" -- explica
o economista José Roberto Afonso, superintendente do banco
federal.
"O
grande problema é que as regiões metropolitanas
brasileiras não são considerados entes de governo
da mesma forma que as esferas municipal, estadual e federal. Não
há órgão que responda política e administrativamente
pelos aglomerados urbanos, e isso dificulta a concessão
de créditos" -- afirma o executivo público.
A estadualização da Grande São Paulo desataria
o nó górdio dos financiamentos junto ao BNDES e
a outras instituições similares -- inclusive internacionais
-- ao conferir identidade jurídica à região
de 39 municípios.
Partilha
injusta -- Além de materializar a esperada metropolização
de fato da Grande São Paulo, a estadualização
provocaria outra grande mudança: com representatividade
política ampliada no Congresso pela condição
de ente federativo, a Região Metropolitana teria melhores
condições para equilibrar a correlação
de forças no poder. Para compreender a relevância
dessa alteração no tabuleiro do federalismo brasileiro,
é preciso conhecer um pouco como funciona o sistema de
redistribuição de impostos no País.
Marcos
Mendes explica que os grandes centros urbanos são agudamente
prejudicados pelos critérios de partilha do FPM (Fundo
de Participação dos Municípios), composto
por parte da arrecadação do Imposto de Renda e do
IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e repassado a todas
as cidades brasileiras pelo governo federal. Enquanto o pequeno
município acreano de Sena Madureira foi contemplado com
cota-parte de FPM quase 10 vezes superior ao que arrecadou em
Imposto de Renda e IPI, a Capital paulista recebeu a título
de FPM apenas 0,4% dos impostos arrecadados.
Basta
fazer as contas: Sena Madureira de 23 mil habitantes arrecadou
R$ 156 mil e recebeu cota-parte de R$ 1,468 milhão, enquanto
a São Paulo de 10,4 milhões de habitantes arrecadou
R$ 10,9 bilhões e recebeu apenas R$ 23 milhões.
Os números são de 1996 e constam de estudo elaborado
por Marcos Mendes sobre a governabilidade do Município
de São Paulo.
Na
condição de maior cidade brasileira, a Capital paulista
é a mais afetada pelos critérios de partilha do
FPM. Mas a maior parte dos 38 municípios que estão
em sua órbita padece do mesmo mal porque exibe as mesmas
características urbanas e populacionais. A origem da partilha
de impostos está na Constituição de 1988.
Com a intenção de fortalecer financeiramente os
municípios diminutos, periféricos e rurais para
estancar o histórico fluxo migratório em direção
às grandes cidades, os parlamentares forjaram sistema flagrantemente
favorável às pequenas cidades. A intenção
aparentemente boa converteu-se num pesadelo: municípios
pequenos, com até três mil habitantes, não
têm escala populacional para produzir serviços públicos.
"Não podem ter escola de 5ª a 8ª série,
por exemplo, porque vai faltar aluno" -- exemplifica Marcos
Mendes.
Além
disso, o FPM não está vinculado a qualquer tipo
de despesa e pode ser usado a critério do Município,
contrariamente aos repasses federais vinculados às áreas
de saúde e educação. "Os recursos do
FPM que fluem para uma infinidade de pequenas localidades brasileiras
acabam virando salário de prefeito, de vereadores e do
funcionalismo público em geral" -- explica Marcos
Mendes.
O
excesso de repasses federais aos pequenos municípios só
é menos contraproducente que a escassez de repasses governamentais
às grandes cidades. É justamente nas grandes cidades
e regiões metropolitanas -- inchadas por décadas
de fluxo migratório -- que a demanda por serviços
atinge a estratosfera. "Nos recessos da macroeconomia, a
situação financeira piora porque as receitas das
grandes cidades são altamente dependentes de tributos que
oscilam ao sabor da conjuntura, como ICMS (Imposto sobre Circulação
de Mercadorias e Serviços), ao passo que pequenos municípios
usufruem de recursos mais estáveis por serem dependentes
do FPM" -- observa o consultor do Senado.
Marcos
Mendes e Norman Gall reconhecem que não é nada fácil
alterar o critério de partilha de recursos federais. Estados
e municípios diretamente beneficiados se oporiam com todas
as forças a mudanças constitucionais que implicassem
na retirada de direitos adquiridos. Apesar disso, o fortalecimento
da representatividade política dos municípios metropolitanos
é o único caminho que conduz à transformação
das regras do jogo. E a estadualização da região
seria o caminho mais curto para fortalecer a representação.
"O Estado da Grande São Paulo elegeria 35 deputados
federais e três senadores, o que corrigiria, em parte, a
sub-representação do Sudeste no Congresso Nacional"
-- destaca Norman Gall.
De
quebra, o ICMS -- Além de proporcionar representatividade
política que permita equalizar o repasse de recursos federais,
a estadualização da Grande São Paulo eliminaria
uma distorção tributária de cunho estadual:
a metodologia de redistribuição de ICMS (Imposto
sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).
O ICMS é devolvido aos municípios segundo critério
que privilegia a produção industrial sem levar muito
em conta a variável população. Esse critério
embute forte viés anti-metropolitano porque as regiões
mais densamente povoadas recebem relativamente menos recursos
que as cidades industrializadas do Interior Paulista.
"Regiões
metropolitanas como a Grande São Paulo foram as que mais
perderam participação industrial relativa nos últimos
anos (por conta da desconcentração industrial movida,
em grande medida, pela guerra fiscal). E é nessas regiões
que remanescem grandes contingentes populacionais necessitados
de serviços públicos. A maior parte dos recursos
do ICMS não vai para as regiões mais problemáticas,
onde a pressão sobre a estrutura pública é
maior" -- explica o especialista Fernando Abrucio, professor-doutor
da PUC São Paulo e da Fundação Getúlio
Vargas.
A
estadualização da Região Metropolitana resolveria
o problema sem tocar no critério de redistribuição
do ICMS pelo simples fato de que o Estado da Grande São
Paulo exerceria controle sobre o bolo arrecadado nos 39 municípios.
Dos R$ 237,9 bilhões gerados em Valor Adicionado no Estado
em 2001, 47,55% -- ou R$ 113,1 bilhões -- foram produzidos
pelo conjunto dos 39 municípios, que respondem por 48,24%
da população paulista.
Mesmo
que o atual critério de redistribuição fosse
mantido para o novo ente federativo, os resultados não
seriam tão injustos porque os municípios da Grande
São Paulo são mais homogêneos entre si e não
guardam tantos contrastes como em relação ao Interior
paulista. Além de as empresas do Interior serem mais enxutas
por conta da industrialização mais recente e já
adequada aos fundamentos da globalização econômica,
as principais cidades fora do eixo da Grande São Paulo
não sofreram tanto com o desbalanceamento socioeconômico
gerado pelo fluxo migratório.
Assim
como a integração metropolitana, a ampliação
da representação política, a possibilidade
de corrigir a distorção do FPM e o controle sobre
o ICMS, também o valor institucional engendrado pela estadualização
não deve ser desprezado. Ainda mais nestes tempos de investimentos
produtivos ariscos e exigentes.
Como
se sabe, o nível de coesão regional é um
dos fatores que empresários mais levam em conta na hora
de decidir onde instalar novos negócios, basicamente por
dois motivos: sistemas produtivos não reconhecem fronteiras
municipais, como bem ensina o norte-americano Michael Porter na
teoria dos clusters; e empreendedores têm ojeriza à
incerteza, por isso tendem a fugir de regiões problemáticas
ou que estejam na iminência de entrar em parafuso por falta
de liderança e ações extramunicipais. Se
a Grande São Paulo quiser voltar a competir em pé
de igualdade com regiões interioranas que catalisaram investimentos
nos últimos anos, convém não subestimar o
valor institucional da estadualização.
Violência
oportuna? -- O momento é mais que oportuno para romper
a trincheira dos privilégios constitucionais dos pequenos
municípios e exercer controle sobre o ICMS por intermédio
da proposta da criação do Estado da Grande São
Paulo. Afinal, o colapso da segurança pública é
resultado direto da fraca representação política
e da escassez de recursos materiais, males que podem ser corrigidos
por meio da estadualização.
O
crime bárbaro que tirou a vida do prefeito Celso Daniel
chamou a atenção do Brasil e do mundo para a criminalidade
crescente na Grande São Paulo. De 1991 a 2000 os roubos
aumentaram 126%, os assassinatos 57% e os furtos e roubos de veículos
explodiram em 175% na região. Pelo menos dois mil crimes
violentos são cometidos diariamente na Região Metropolitana
de São Paulo, que no ano passado respondeu por 250 dos
307 sequestros registrados no Estado. Os números são
do coronel da reserva José Vicente Filho, um dos maiores
especialistas brasileiros em segurança pública,
que também é consultor do Instituto Fernand Braudel.
José
Vicente Filho entende que a principal razão do crescimento
da criminalidade acima da média paulista e brasileira na
Região Metropolitana está relacionada ao que chama
de distribuição inadequada dos recursos policiais.
Com 48,24% da população do Estado, a Grande São
Paulo concentra apenas pouco mais de um terço do efetivo
policial paulista e é atingida por 69% dos assassinatos,
70% dos roubos em geral e 80% dos roubos de veículos.
José
Vicente Filho exibe o desequilíbrio com exemplos: com 703
mil habitantes, a metropolitana São Bernardo, no Grande
ABC, tem menos policiais que a interiorana Ribeirão Preto,
cuja população é 30% menor. Distante 600
quilômetros da Capital paulista, quase na fronteira com
Mato Grosso do Sul, Araçatuba tem praticamente o mesmo
número de policiais de Diadema, que faz divisa com a explosiva
Zona Sul de São Paulo. Detalhe: a população
de Araçatuba é metade da de Diadema.
"Cidadezinhas
do Interior Paulista nas quais a ocorrência mais grave é
roubo de galinha desfilam com viaturas novas em folha, enquanto
São Paulo sofre com a falta de condições
materiais para combater o crime organizado. Como bem mostram os
estudos de Marcos Mendes, sobra dinheiro por lá, enquanto
falta por aqui" -- observa o especialista.
Além
da segurança pública, outros problemas são
agravados pela falta de integração e de contrapartidas
políticas e econômicas dos governos estadual e federal.
A Grande São Paulo carece de fundas intervenções
ambientais. É simplesmente inadmissível que rios
como Pinheiros e Tietê, na Capital, e o Tamanduateí,
que se estende até São Paulo a partir de Mauá,
no Grande ABC, permaneçam como receptáculos de esgotos
e entulhos a céu aberto. Em qualquer país civilizado,
rios em áreas urbanas são monumentos ambientais
valorizados e preservados pela população e pelos
governantes. Como o Sena em Paris, o Tâmisa em Londres e
o Tejo em Lisboa.
A
Grande São Paulo também enfrenta enormes desafios
nas áreas habitacional, de trânsito e de combate
a enchentes, entre outros problemas sistêmicos que dependem
de integração metropolitana, recursos financeiros
e reforço da representação política.
Só na Capital paulista há mais de dois milhões
de moradores em favelas e 600 mil em cortiços. Significa
que um quarto da população da cidade mais rica da
América Latina vive em condições sub-humanas.
Se a esse número se somarem os moradores de loteamentos
clandestinos, chega-se a contingente superior a cinco milhões.
"A região precisa organizar-se politicamente para
enfrentar problemas de escala que a transformam num oceano turbulento
de desperdício e contradição" -- observa
Norman Gall.
Os
problemas de escala têm origem histórica. Os oito
mil quilômetros quadrados da Grande São Paulo foram
palco do mais intenso crescimento demográfico no último
século. A população da região multiplicou-se
de 31 mil habitantes em 1870 para 18 milhões 131 anos depois.
"A taxa de crescimento de 5% ao ano é duas vezes mais
rápida que a de Berlim, que liderou a urbanização
acelerada na Europa no século XIX" -- compara Norman
Gall.
Outro
exemplo a ser seguido pela Grande São Paulo é a
cidade do México, capital nacional na condição
de Estado. Norman Gall reconhece que há muitos obstáculos
à estadualização da Grande São Paulo.
Afinal, uma alteração de tal magnitude no mapa político,
administrativo e econômico brasileiro não se materializaria
sem muita discussão, pressão, indisposição
e até ruptura. "Além da oposição
das bancadas das regiões mais pobres no Congresso, o Estado
da Grande São Paulo precisaria chegar a um acordo de como
a dívida pública com a União seria dividida
entre o novo e o velho Estado" -- exemplifica o diretor-executivo
do Instituto Fernand Braudel.
Mas
a transformação da Grande São Paulo em Estado
urge. A região está se desintegrando por absoluta
falta de governabilidade e interlocução federal.
"Na Grande São Paulo, milhares de pessoas lutam para
sustentar um arremedo de ordem. Essas pessoas precisam de uma
estrutura institucional para dar sustentação e sentido
a seus esforços. A estrutura política da metrópole
não dá resposta a essa necessidade, nem oferece
suporte à eficiência econômica" -- afirma
Norman Gall. "Chega um momento na vida das grandes cidades
em que a necessidade de regulação e alocação
racional do espaço e dos recursos passa a prevalecer sobre
processos impulsivos. Há bastante tempo São Paulo,
em seu crescimento febril, alcançou o estágio em
que essa transição já se deveria ter verificado"
-- adverte.
*
Matéria publicada na edição de fevereiro
de 2002 da revista LIVRE MERCADO
**
ANDRÉ MARCEL DE LIMA é jornalista profissional especializado
em metropolização. |