O INSTITUTO
IEME
-- Como surgiu a idéia de criar o Instituto de Estudos
Metropolitanos.
Daniel Lima -- A
ausência de estatísticas sistematizadas e de análises
sem compromissos político-partidários e ideológicos
de questões relativas às metrópoles e áreas
contíguas nos levou a decidir pela empreitada. Cansamos
de denunciar alquimistas estatísticos que, por motivos
variados, esculpiram cenários absolutamente artificiais
para satisfazer interesses pessoais ou de grupos. Há, evidentemente,
trabalhos sérios, respeitados, mas nenhum direcionado especificamente
às questões metropolitanas.
IEME
-- Por que começar pelo Estado de São Paulo?
Daniel Lima -- Porque
contamos com massa de informações estatísticas
que garante avaliações inéditas. Além
disso, não se pode desprezar o fato de que estamos tratando
da principal economia nacional e uma das mais competitivas do
mundo, segundo ranqueamento realizado recentemente por organismo
especializado.
São Paulo -- o Estado em que a iniciativa privada mais
se consolidou no País -- tem a dimensão de uma nação
e isso aumenta nossa responsabilidade.
Não há justificativa para a absoluta falta de informações
econômicas comparativas dos principais municípios.
Os trabalhos acadêmicos têm importância, os
organismos públicos que se debruçam sobre números
também contribuem para os debates, mas o fulcro sobre o
qual estamos nos lançando não é necessariamente
de interesse dos administradores públicos porque estamos
abrindo algumas caixas-pretas até então hermeticamente
escondidas.
IEME
-- A escolha de 55 municípios é um universo definitivo?
Não se pretende deslocar o foco de atuação
para os demais municípios paulistas?
Daniel Lima -- A
importância econômica desses 55 municípios
e a ressonância que exercem sobre os demais garantem que
estamos lidando com o que há de mais substantivo no Estado
de São Paulo. São praticamente 80% da indústria
de transformação e 80% do Potencial de Consumo paulistas
reunidos em 55 endereços municipais. A proposta do Instituto
de Estudos Metropolitanos é abarcar exatamente essa gama
de municípios que, em termos quantitativos, representa
apenas 10% do contingente paulista, mas concentra, com isso, mais
de dois terços da riqueza.
Eventualmente poderemos extrapolar os limites estatísticos
desses 55 municípios, mas será em caráter
pontual porque a gênese do IEME é a questão
metropolitana. A própria denominação do instituto
converge para a seleção qualitativa dos municípios
estudados.
IEME
-- Quer dizer então que os 55 serão imutáveis?
Daniel Lima -- Não
disse exatamente isso. Vamos flexibilizar a relação
na medida em que dois aspectos que determinaram a formação
desse universo de riqueza sejam atingidos por outros municípios.
O primeiro é a riqueza produzida, e que ganha forma de
Valor Adicionado. O segundo é a riqueza consumada, que
ganha forma no Índice de Potencial de Consumo. Esses são
dois indexadores conceituais.
Temos observado, por isso mesmo, eventuais novos protagonistas
municipais na próxima temporada de pesquisas, quando atualizaremos
os dados referentes à primeira edição do
IDEE (Índice de Desenvolvimento Econômico Equilibrado).
Pelo menos mais meia dúzia de municípios são
potencialmente selecionáveis porque alcançaram melhorias
nos dois critérios-base de análise.
IEME
-- Daria para antecipar nomes?
Daniel Lima -- Ainda
não, ainda não. Diria que Valinhos provavelmente
será incluída na relação.
IEME
-- Houve reclamações pelo fato de alguma cidade
não ter sido incluída?
Daniel Lima -- Tivemos
um caso de um consultor empresarial que, por não entender
ou por opor-se aos propósitos do Instituto de Estudos Econômicos,
chegou à estupidez de afirmar em correspondência
que nos foi remetida que Águas de São Pedro, um
minúsculo Município de pouco mais de sete mil habitantes
e praticamente nulo em Valor Adicionado, não só
deveria estar entre as 55 maiores cidades como se classificaria
em terceiro lugar.
Vejam só que bobagem desmesurada, porque Águas de
São Pedro é uma cidade de ótima qualidade
de vida, mas reúne população de apenas sete
mil habitantes predominantemente de idosos, não tem escala
de Valor Adicionado e de Potencial de Consumo e muito menos está
sob a zona de influência de regiões metropolitanas
de fato ou de direito. Aliás, o mesmo consultor sugeriu
outros municípios desconhecendo o beabá do Instituto
de Estudos Metropolitanos.
Ele chegou a questionar o fato de termos restringido o universo
de pesquisas a 55 municípios. Indagou entre outras coisas
por que a pesquisa não contempla todo o Estado de São
Paulo. Como disse anteriormente, não tem sentido o Instituto
de Estudos Metropolitanos se preocupar com todo o Estado.
A proposta do consultor despreparado para entender a metodologia
e os conceitos é algo tão ingênua e desproposital
quanto exigir que o Instituto do Coração trate também
de enxaqueca, de diarréia, de reumatismo, de próstata
e, quem sabe, até plante batatas. Ora, Instituto do Coração
é Instituto do Coração. Instituto de Estudos
Metropolitanos é Instituto de Estudos Metropolitanos. Cada
um tem a respectiva vocação.
IEME
-- Por que se escolheu o Valor Adicionado e o Potencial de Consumo
como âncoras para definição dos municípios
pesquisados?
Daniel Lima -- Porque
os dois quesitos representam 65% dos pesos relativos da construção
do IDEE, o Índice de Desenvolvimento Econômico Equilibrado.
Procuramos, como disse anteriormente, juntar quantidade de riqueza
produzida com quantidade de riqueza acumulada, como poderiam ser
definidos, respectivamente, o Valor Adicionado e o Índice
de Potencial de Consumo. Trata-se de dois medidores que não
carregam qualquer contaminação subjetiva. São
números reais, produtos da economia.
Valor Adicionado é o resultado da transformação
de matéria-prima em produto. Potencial de Consumo é
uma espécie de PIB do consumo que cada Município
detém por força da massa de recursos financeiros
amealhados pela população.
O cruzamento de Valor Adicionado e Potencial de Consumo foi absolutamente
proposital e indispensável. Afinal, o Valor Adicionado
produzido por uma determinada localidade não necessariamente
se espalha entre seus moradores, porque a aderência do valor
de produção na cadeia produtiva varia de acordo
com o perfil industrial. Basta ver o caso de Paulínia,
campeã disparada de Valor Adicionado per capita no Estado.
Entretanto, o Valor Adicionado é gerador de tributos repassados
aos municípios em forma de ICMS.
Já o Potencial de Consumo é o que efetivamente cada
Município tem para consumir numa temporada, independentemente
de ter sido amealhado no próprio Município. Cidades
que contam com altas taxas de trabalhadores exercendo atividades
em outras localidades reúnem Potencial de Consumo independentemente
da origem da carteira de trabalho.
IEME
-- O que você, como jornalista reconhecidamente inconformado
com o caos metropolitano, pretende ver concretizado com a criação
do IEME?
Daniel Lima -- O
principal objetivo dessa empreitada é sensibilizar duas
pontas importantes desse novelo de enrascadas que colocam as regiões
metropolitanos em condições de subalternidade jurídica,
política, institucional e constitucional no espectro nacional.
A ponta mais importante reúne os poderes públicos
do Executivo e do Legislativo. Enquanto prefeitos, governadores,
presidente da República, vereadores, deputados estaduais,
deputados federais e senadores não se derem conta de que
a saída para o imbróglio socioeconômico nacional
passa pelo enquadramento das regiões metropolitanas numa
bitola de racionalidade orçamentária e responsabilidade
compartilhada de gerenciamento público, os problemas só
se agravarão.
De outro lado, pretendemos também retirar boa parte da
mídia nacional das coberturas pontuais de um varejismo
informativo que não tem a menor profundidade, bem como
reorientar a cobertura dos municípios, do Estado e mesmo
do País, introduzindo a ótica de matérias
com maior densidade transformadora.
Traduzindo em miúdos: nosso jornalismo, e falo também
como jornalista, precisa se dar conta de que a qualidade da atividade
política no Brasil depende em muito também do nível
de conhecimento e de comprometimento social da mídia. Enquanto
os políticos tiverem espaço na imprensa pelo exotismo,
pelo populismo, pelo demagogismo e por todos os ismos comuns da
nossa história político-administrativa, mais e mais
enfrentaremos dificuldades para conscientizar a população
a escolher com correção seus representantes nas
esferas de poder.
IEME
-- Não cheira a utopia tanta expectativa?
Daniel Lima -- É
o que mais ouço, principalmente de quem não tem
compromisso algum com o amanhã. Mas tenho certeza de que
vale a pena tentar. É claro que os resultados não
aparecerão em curto prazo e muitos obstáculos terão
de ser superados, mas a caminhada alimenta a expectativa de que
romperemos com muitos mitos e preconceitos. Os primeiros resultados
divulgados pelo IEME provam isso. Principalmente os jornalistas
estão interessadíssimos em disseminar novos paradigmas
da administração pública.
Tenho um exemplo prático como diretor da revista LIVRE
MERCADO, que circula há 13 anos no Grande ABC. Formamos
uma equipe de jornalistas que não só entendem o
significado de pensar e escrever revista, diferentemente portanto
de pensar e escrever jornal diário, como, principalmente,
avançam mais e mais em conhecimentos específicos
sobre regionalismo e metropolização. Não
tenho a menor dúvida de dizer que somos a única
publicação nacional que se debruça sistematicamente
sobre as questões metropolitanas.
IEME
-- Os indicadores que o IEME tem produzido e os que ainda vai
produzir estão conceitualmente presos a que mote?
Daniel Lima -- Não
produziremos estatística alguma e não emitiremos
avaliação alguma sobre os estudos sem que a fundamentação
esteja solidificada em números oficiais. O grande risco
que se pode correr é a subjetividade, que dá margem
a interpretações nem sempre justas. Os estudos poderão
desagradar eventualmente os mais exigentes ou mesmo os recalcados,
porque essas espécies são comuns no mundo da pesquisa.
Mas jamais haverá contestação que minimamente
resvale para a manipulação de dados.
Alguns poderão, como disse, discordar da metodologia e
dos conceitos, porque há sempre quem procure pêlo
em casca de ovo ou mesmo quem está cansado de ser vítima
de pesquisas fraudulentas e passa a desconfiar de tudo. Entretanto,
nada os colocará em confronto com nossos estudos quando
se tratar de realidade numérica. Não estamos a serviço
de qualquer partido político, de qualquer administrador
público. Diria mais: os estudos do IEME carregam uma carga
tão potencialmente grande de problemas para os gerenciadores
públicos menos qualificados que a tendência é
de que haja certa animosidade no relacionamento.
Entretanto, essa independência dará à instituição
a credibilidade intocável que haveremos de conquistar.
Os indicadores que estamos construindo e analisando serão
nosso abre-alas de respeitabilidade. O campeão de um indicador
do IEME hoje pode ser o lanterninha de um novo indicador do IEME
amanhã. Isso não é teoria, é prática.
Veja o caso de São Caetano, que chegou em primeiro lugar
no IDEE (Índice de Desenvolvimento Econômico Equilibrado)
e, no primeiro quesito do IEM (Índice de Eficiência
Municipal), relativo ao custo do funcionalismo público
por morador, classificou-se entre os últimos, em 52º
lugar. É assim que será. Gostem ou não os
administradores públicos envolvidos.
IEME
-- Todos os estudos do IEME vão estar amarrados ao desempenho
por morador?
Daniel Lima -- Em
princípio sim, mas não é um dogma. Entendemos
que a mensuração qualitativa de questões
econômicas com forte coloração social é
extremamente mais segura quando levada para o exame per capita.
Fossem municípios rigorosamente da mesma dimensão
demográfica, os números absolutos seriam utilizados
sem cerimônia. Entretanto, as diferenças populacionais
evidentes, que vão de uma Capital com mais de 10 milhões
de habitantes a uma Paulínia com 51 mil, nos levaram a
promover a uniformização por meio do desempenho
per capita. Entretanto, isso não significa que perdemos
o sentido da quantidade. Diria que, com os dados per capita de
que dispomos, as abordagens se tornam mais elucidativas e profundas
quando, em determinadas situações, corremos os olhos
para o mapeamento de números absolutos.
Vou dar um exemplo claro: Carapicuíba arrecadou com impostos
municipais, estaduais e federais durante todo o ano de 2001 um
total de R$ 80 milhões. No mesmo período, São
Caetano gastou só com funcionalismo público total
de R$ 115 milhões. Estou me referindo a duas questões
distintas que, colocadas num debate, mostram claramente a aberração
do sistema distributivo do ICMS (Imposto sobre Circulação
de Mercadorias e Serviços) e as consequências para
a gestão pública. Repito: São Caetano gastou
50% mais com folha de pagamentos dos servidores do que Carapicuíba
recebeu de impostos para pagar funcionários, aplicar em
saúde, educação, transporte, manutenção
da máquina, enfim, nas obrigações múltiplas
da Prefeitura.
Considerando-se que Carapicuíba tem 344 mil habitantes
e São Caetano apenas 140 mil, está mais do que claro
que a legislação de repasse do ICMS, principal fonte
de receitas dos municípios, eternizará o caos no
atendimento público em Carapicuíba e manterá
São Caetano fortemente protegida. É evidente que
não estou sugerindo que São Caetano seja destruída,
mas não é possível observar esse quadro de
disparates sem que pelo menos se proponham mudanças na
legislação. E olhe que não citei o exemplo
de Paulínia, que conta com apenas 51 mil habitantes e é
o paraíso de arrecadação de impostos, por
conta do parque químico/petroquímico que ocupa seu
território.
IEME
-- Quem pode resolver casos como esses de distorção
do repasse do ICMS?
Daniel Lima -- Os
deputados estaduais, principalmente. Batemos nessa tecla há
muitos anos. Para dizer a verdade, fomos os primeiros a denunciar
a estupidez da legislação com base predominantemente
favorável aos municípios que contam com maior Valor
Adicionado per capita. O Estado de São Paulo jamais será
minimamente equilibrado, principalmente entre as médias
e grandes cidades, se não houver vontade política
para cortar a raiz das dificuldades, incrustradas no repasse do
ICMS.
Há uns três anos entrevistamos o então xerife
da arrecadação tributária de São Paulo,
Clóvis Panzarini, e ele se mostrou completamente favorável
à mudança. Chegou a dizer, inclusive, que não
tem sentido a produção valer mais que o homem. Por
quê? Ora, porque a transformação industrial
tem peso de 76% na construção do índice de
repasse do ICMS, enquanto o critério população
está limitado a 13%.
IEME
-- Inverter as relações ou mesmo equilibrá-las
seria a solução final?
Daniel Lima -- Com
suporte de parceiros especializados, fizemos vários exercícios
sobre a equação mais apropriada para impedir que
os municípios mais populosos sejam prejudicados pela distribuição
esquizofrênica do ICMS. Tivemos muitas dificuldades de operacionalizar
os números de forma que contemplassem o conceito de que
era indispensável quebrar a coluna vertebral de injustiças
no repasse. A solução está na queda gradual
do Valor Adicionado como indexador com peso de 76%, está
no aumento do peso relativo da população e, também,
na construção de uma espécie de fundo do
ICMS.
IEME
-- Como funcionaria esse fundo do ICMS?
Daniel Lima -- Ainda
não nos detivemos em preparar um arrazoado técnico
que possa ser ferramenta de análises, mas em princípio
acredito que entre 15% e 20% do total de recursos de repasse do
Estado aos municípios poderiam compor um caixa único.
O gerenciamento e a aplicação de recursos desse
caixa seriam predominantemente direcionados às regiões
metropolitanas do Estado, de acordo com a contribuição
de cada uma na geração de tributos.
Essa medida teria o mérito de dar sustentação
orçamentária à aplicação de
recursos financeiros que, em última instância, melhoraria
a qualidade de vida dos grandes e médios municípios
paulistas. Não é a solução definitiva
para a problemática metropolitana, que é mais ameaçadoramente
complexa na Grande São Paulo. Mas representaria intervenção
planejada sob todos os aspectos e decisiva para pelo menos estancar
o quadro de derretimento da competitividade metropolitana.
A vida metropolitana, especialmente na Grande São Paulo,
passou a ser uma grande aventura. Melhor dizendo, um grande drama.
As pessoas só se dão conta disso quando ocorre alguma
desgraça com elas mesmas. E os riscos de ocorrências
desagradáveis são cada vez maiores. Afinal, são
18 milhões de habitantes espremidos em 39 municípios.
Somos a população inteira de Minas Gerais. A diferença
é que os mineiros se distribuem num território físico
muito maior e em mais de 800 municípios.
IEME
-- Os legisladores já se deram conta disso?
Daniel Lima -- Em
absoluto. Um ou outro se manifestou sobre a aberração
do ICMS, mas nada de consistente se fez para alterar para valer
essa correlação de valores distribuídos.
O problema dos nossos legisladores é que geralmente pensam
no pontual e esquecem que os maiores problemas têm causas
estruturais que derivam de macrodeficiências. Nem se pode
dizer que alterar a forma de repartição do ICMS
é um tiro no pé do ponto de vista eleitoral porque
dois terços desse contingente eleitoral seriam beneficiados
com as mudanças. Trata-se, de fato, de absoluto alheamento
às questões metropolitanas.
IEME
-- E onde fica o governo do Estado na distribuição
do ICMS? A formulação atual está correta?
Daniel Lima -- De
forma alguma, porque o Estado fica com 75% do volume arrecadado
de ICMS. É muito, é muito. Quando me referi ao fundo
para as regiões metropolitanas, especifiquei como fonte
de recursos parte da cota destinada aos municípios porque
sou pragmático. Entretanto, o ideal, ou próximo
do ideal, é que também se reservasse parte do ICMS
do governo do Estado, pelo menos uns 5% do total arrecadado, para
capitalizar o fundo do ICMS. Com a soma de recursos financeiros
e uma força-tarefa de especialistas exclusivamente voltada
para as áreas mais densamente ocupadas e seus respectivos
entornos, o quadro metropolitano na geoeconomia paulista seria
outro.
Diria que, o ideal mesmo, já que estamos no terreno da
idealização, é que o governo federal também
desse sua contribuição para fortalecer o fundo do
ICMS, cuja clonagem pelos demais Estados da Federação
seria providencial para ampliar as possibilidade de termos um
País menos desumano.
IEME
-- O Instituto Fernand Braudel defende a criação
do Estado da Grande São Paulo exatamente porque entende
que a Região Metropolitana de São Paulo é
um amontado de problemas sem políticas públicas
sinérgicas. O que você pensa sobre isso?
Daniel Lima -- Desde
o princípio, apoiamos a proposta do Fernand Braudel. Chegamos
até a destacar um jornalista da revista LIVRE MERCADO para
produzir Reportagem de Capa sobre o assunto. A reação
de alguns políticos despreparados foi a esperada: acharam
a sugestão um escárnio. Como disse, esse é
um dos problemas que temos para cristalizar o conceito de metropolização:
boa parte da classe política não entende patavina
do assunto e, exatamente por não entender, desclassifica-o.
Dá muito trabalho mergulhar em estudos e analisar as regiões
metropolitanas espalhadas pelo mundo à luz de instrumentos
de correção de rotas. Nossos políticos gostam
de tudo mastigado, simplificado. E gestão metropolitana
não é fast-food. Exige disposição,
preparo, vocação de estadista. Como o ex-prefeito
de Santo André, Celso Daniel. A morte de Celso Daniel não
foi uma perda específica para o governo Lula da Silva.
Foi um desfalque impreenchível para a causa metropolitana.
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