Do
jornal Gazeta Mercantil, São Paulo - 07/08/03
Os desafios para o crescimento sustentável
Marcelo Moreira
São
Paulo, 7 de Agosto de 2003 - As três maiores preocupações
dos atuais administradores públicos em relação
aos grandes municípios são a habitação,
o transporte e o meio ambiente. Um dos eventos mais importantes do Brasil
sobre administração e políticas públicas,
a Urbis 2003 - Feira e Congresso Internacional de Cidades terminou no
último dia 25 de julho em São Paulo mergulhado no pessimismo
por conta das pavorosas notícias a respeito do caos urbano nas
metrópoles brasileiras. Legiões de sem-teto invadiram
edifícios desativados de dois antigos hotéis no centro
velho paulistano, enquanto que mais de 2,5 mil famílias ocupavam
um gigantesco terreno da montadora Volkswagen em São Bernardo
do Campo, no ABC - Grande São Paulo.
Em
Recife, motoristas de vans clandestinas de transporte de passageiros
entraram em confronto com a polícia quando tentavam invadir a
prefeitura. No Rio de Janeiro, cerca de 40 mil pessoas disputavam em
junho, na base do empurrão e no tapa, um lugar na fila de inscrição
para se candidatar a uma vaga de gari.
A degradação dos serviços públicos atingiu
até mesmo Ponta Grossa (PR), cidade de porte médio onde
36 pessoas morreram nos corredores de hospitais públicos por
falta de leitos na UTI (Unidade de Terapia Intensiva).
Especialistas
brasileiros e estrangeiros discutiram na Urbis como implantar políticas
públicas que evitem ou pelo menos freiem a queda na qualidade
de vida nas metrópoles, cada vez mais inchadas e sem espaço
físico para se expandir. Se o congresso não resultou em
medidas concretas de amplo alcance e de rápida implantação,
pelo menos serviu para concluir que a melhoria da qualidade de vida
do ser humano passa necessariamente pela transformação
das metrópoles - já que o índice de urbanização
nos países desenvolvidos e em desenvolvimento bate nos 70% -
e, por conseqüência, pela melhor distribuição
de renda no mundo.
O
futuro das cidades deverá ser marcado pela disputa ferrenha por
espaço e pela intervenção cada vez maior do poder
público na busca pela utópica qualidade de vida ideal,
só que com uma participação crescente de parcerias
com a iniciativa privada. São três as maiores preocupações
dos administradores públicos na atualidade em relação
às grandes cidades: habitação, transporte e meio
ambiente. No caso de São Paulo e Rio de Janeiro - as maiores
metrópoles do País -, essas preocupações
se tornam desafios diante da crise econômica crônica que
atinge o Brasil desde a década de 80.
Onde
arrumar recursos suficientes para conter o inchaço populacional
e oferecer serviços públicos de qualidade minimamente
decentes? Onde arrumar recursos para desapropriar e construir casas
para as milhões de pessoas que moram em favelas e nas ruas? E
diante desses desafios, sobra algum recurso para levar transporte público
a essas pessoas e para implantar ações para evitar a degradação
do meio ambiente? Como fazer isso em um clima econômico onde duas
das mais importantes indústrias automobilísticas instaladas
no Brasil ameaçam demitir trabalhadores, e numa região
como a Grande São Paulo, que apresenta 20,3% de desemprego, segundo
dados da Fundação Seade/Dieese.
Decadência
econômica -- A questão é tão fundamental
que a Região Metropolitana de São Paulo ganhou há
dois meses o IEME (Instituto de Estudos Metropolitanos), organização
criada por economistas, empresários e jornalistas para discutir,
debater e eventualmente sugerir ações que visem estancar
a decadência econômica das grandes metrópoles. Ou,
em outras palavras, pensar e estruturar a implantação
de novas políticas públicas.
"A idéia do instituto surgiu diante das análises
preocupantes a respeito dos indicadores socioeconômicos da Grande
São Paulo. A arrecadação de impostos cai, o potencial
de consumo também, e a gestão dos recursos públicos
fica mais difícil. A região do ABC é uma prova
disso", diz o economista Marcos Pazzini, da Target Marketing e
Pesquisa, um dos fundadores do instituto.
Para
o jornalista Daniel Lima, um dos coordenadores de pesquisa do IEME,
a questão é grave e bastante complexa. "A abertura
indiscriminada do mercado brasileiro à concorrência internacional
e a política neoliberal - mas sem ter clara uma verdadeira política
industrial - dos oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso levaram
a um esvaziamento econômico das grandes regiões metropolitanas.
A recuperação delas, em todos os sentidos, é fundamental
para a retomada do crescimento econômico do País e para
a melhoria da qualidade de vida nas áreas urbanas."
Para
amenizar a queda na arrecadação das cidades, foi aprovado
pelo Senado no mês passado, depois de passar pela Câmara
dos Deputados em dezembro de 2002, o substitutivo ao projeto de lei
complementar 161/89, que altera as bases para a instituição
do imposto sobre serviços (ISS) pelos municípios. Esse
projeto amplia o número de serviços que podem ser tributados
de 103 para 208 e deve aumentar a arrecadação em cerca
de 50%.
Voz
na esfera federal -- A criação do Ministério das
Cidades pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva mostra que
a situação das regiões metropolitanas está
na lista de prioridades do governo federal, embora haja críticas
ao desempenho do ministro Olívio Dutra, ex-governador do Rio
Grande do Sul e ex-prefeito de Porto Alegre. No entendimento do governo
petista, cidades passam a ter um papel crucial na definição
das políticas nacionais de promoção social e do
desenvolvimento sustentável. Pela primeira vez, o Brasil conta
com um ministério para as cidades, criado para fomentar o desenvolvimento
urbano.
Os
municípios, afinal, estão intimamente ligados aos problemas
que afetam as sociedades contemporâneas e têm se articulado
para a solução das crises, apesar de problemas como violência,
desemprego e habitação dependerem, na maioria das vezes,
de decisões nas esferas estadual e federal. De acordo com o governo,
a criação do Ministério das Cidades constitui um
novo paradigma no quadro das políticas públicas em razão
do reconhecimento de que o Brasil é predominantemente urbano,
já que 82% de sua população vive em cidades.

Do
jornal Correio Popular, de Campinas - 25/08/03
Câmara de Paulínia é campeã de
gastos com dinheiro público
Rose Guglielminetti
Da Agência Anhangüera
A
Câmara de Vereadores de Paulínia é campeã
de gastos do dinheiro público entre as 55 cidades com maior poder
econômico do Estado de São Paulo, de acordo com o novo
indicador do índice de Eficiência Municipal do Instituto
de Estudos Metropolitanos (IEME). Entre os municípios pesquisados,
Paulínia consumiu R$ 8,32 milhões em 2001. Significa que,
durante o ano, cada morador paulinense gastou R$ 162,12 para manter
os 15 vereadores.
A
justificativa do presidente da Câmara, Jaime Donizete Pereira
(PMDB), é de que o município tem uma arrecadação
diferenciada e ele utiliza a verba para pagar tanto os funcionários
públicos -- a maioria ocupa cargos de confiança -- quanto
a manutenção do prédio, considerado de alto padrão.
O presidente na gestão 2001/02, Emerson Eduardo dos Santos (PMDB),
não retornou as ligações da reportagem da Agência
Anhangüera de Notícias (AAN) para comentar o assunto.
Com
isso, a Casa de Leis paulinense gastou 1.080% a mais do que o valor
considerado ideal para o custeio do Legislativo, que é de R$
15,00 por morador, segundo o analista financeiro do IEME, Daniel Lima.
Em números absolutos, o Legislativo de Paulínia, com 51
mil habitantes, consume mais recursos públicos do que o de Sorocaba,
por exemplo, que conta com uma população de quase 500
mil habitantes. Sorocaba gastou R$ 9,93 por morador.
No
outro extremo está a cidade de Botucatu, que utilizou R$ 8,63
por pessoa para manter o Legislativo em um orçamento de R$ 934
mil. Outros três municípios da Região Metropolitana
de Campinas (RMC) estão classificados entre os 10 mais eficientes
do ranking. "Em Paulínia, percebemos claramente o desperdício
do dinheiro público. É vergonhoso" , criticou Lima.
O
presidente contesta a acusação de Lima e disse que Paulínia
gasta mais por causa da arrecadação do município
que é alta. Para este ano, a arrecadação da cidade
é de R$ 391 milhões. O peemedebista afirmou ainda que,
pela Constituição Federal, o Legislativo pode receber
até 7% do orçamento do executivo, mas a Câmara gasta
4,5%. "É um absurdo dizer que não temos cuidado com
o dinheiro público. É preciso levar em conta a especificidade
da nossa cidade", disse.
Em
Paulínia, dos 231 funcionários, 161 ocupam cargos de confiança
dos parlamentares. Cada vereador tem direito a cinco "apadrinhados"
. Os salários não foram divulgados, mas 56% dos 14 milhões
do orçamento deste ano serão gastos com despesa de pessoal.
"Preferimos contratar comissionados porque, se tiver qualquer problema,
podemos despedir imediatamente. Isso já não acontece com
o servidor efetivo" , justificou o presidente.
Além
disso, ele revelou que a alimentação é gratuita
para todos os funcionários. No cardápio, além do
refrigerante, o servidor tem direito a três opções
de carnes, três guarnições, a mesma quantia de sobremesa
e saladas variadas. "Tenho certeza que nenhuma Câmara tem
um prédio e os benefícios que nós oferecemos"
, explicou ele.
O
analista financeiro disse que, para evitar distorções
-- municípios ricos investindo dinheiro em outras necessidades
que não sociais, como Educação e Saúde --
seria necessária a redistribuição da arrecadação
de impostos para as cidades que não têm dinheiro para investir
em políticas públicas prioritárias para a população.
"Deveria ser criado um fundo da região metropolitana que
transferiria recursos para os municípios com menos dinheiro e
mais verba" , disse.
Porém,
o presidente do Legislativo de Paulínia disse que não
concorda porque a cidade investiu para ter hoje uma arrecadação
alta. "Apesar de termos entrada alta de recursos, temos um passivo
ambiental muito grande. Será que alguém iria querer dividi-lo
como querem com o dinheiro?" , questiona Pereira.
Para
fazer o ranking dos municípios, o instituto utilizou os dados
populacionais e o orçamento referentes ao exercício de
2001. Segundo o analista financeiro, o ranking leva em conta o equivalente
ao valor despendido por morador. "Dividimos o orçamento
pelo número de habitantes para evitar distorções"
, explicou Lima.
As
cidades de Indaiatuba, Santa Bárbara d’Oeste e Sumaré,
que integram a Região Metropolitana de Campinas (RMC), estão
classificadas entre os 10 municípios que utilizaram adequadamente
o dinheiro público, segundo o Instituto de Estudos Metropolitanos
(IEME). As três cidades não ultrapassaram os R$ 15,00 de
investimento por morador, considerado adequado pelo analista financeiro
Daniel Lima. "O que analisamos é que estas cidades de porte
médio têm maior cuidado com o dinheiro público porque
sabem como é difícil conseguir arrecadar" , acredita.
Indaiatuba ficou em 8º lugar no ranking. Santa Bárbara ocupa
a 9º posição e Sumaré é a 10º
no levantamento.
O
presidente do Legislativo de Indaiatuba em 2001, José Onério
da Silva (PDT), disse que implantou em concordância com os 17
vereadores uma política de austeridade econômica. Ele deu
cotas de correio, telefone e cópias para todos os parlamentes.
Além disso, a Câmara tem uma estrutura enxuta. "Procuramos
trabalhar dentro do disponível" , explicou. Indaiatuba gastou
R$ 12,47 per capita.
O
atual presidente, João Neto (PSDB), aprimorou o trabalho do primeiro
e está promovendo concurso público para contratar funcionários
efetivos. Cada vereador tem direito a um cargo de confiança,
com salário de R$ 750,00. "Não precisamos encher
a Câmara de gente. Damos condições de trabalho a
todos os vereadores, mas dentro da razoabilidade" , disse. O orçamento
atual é de R$ 3,9 milhões.
O
fato de Campinas ocupar a 39º posição no ranking
das 55 cidades mais economicamente importantes do Estado de São
Paulo da pesquisa do IEME é relevante para o presidente do Legislativo
campineiro, Carlos Francisco Signorelli (PT). Ele diz que o objetivo
é apertar o cinto para cortar as despesas. De acordo com os dados
do exercício de 2001, o campineiro gastou R$ 28,14 para manter
os 21 parlamentares. "Ainda não está numa situação
escandalosa, mas é necessário cortar despesa porque é
possível gastar menos de R$ 15,00 por pessoa" , disse o
analista financeiro Daniel Lima.

Do
jornal Gazeta Mercantil, de São Paulo - 20/08/03
Paulínia é a cidade que mais gasta com o Poder
Legislativo
Marcelo Moreira
São
Paulo, 20 de Agosto de 2003 - A cidade paulista campeã em gastos
com o Legislativo é a pequena Paulínia, na Região
Metropolitana de Campinas: com apenas 51 mil habitantes, Paulínia
consumiu R$ 8,320 milhões em 2001, média per capita de
R$ 162,12. Em números absolutos, o Legislativo de Paulínia
consome mais recursos públicos do que o de Sorocaba, por exemplo,
que conta com população de quase 500 mil habitantes. Esse
é o resultado do mais novo estudo realizado pelo IEME (Instituto
de Estudos Metropolitanos), de São Paulo.
Paulínia,
maior arrecadadora de ICMS (Imposto sobre Circulação de
Mercadorias e Serviços) per capita do Estado por causa da industrialização
seletiva, também é quem mais gasta com servidores do Executivo,
segundo pesquisa já divulgada pelo IEME.
A
lista dos dez municípios mais eficientes no Legislativo está
toda centralizada no interior do Estado. Pela ordem, os dez primeiros
são os seguintes: Botucatu, Presidente Prudente, Araras, Franca,
Limeira, Sorocaba, Itaquaquecetuba, Indaiatuba, Santa Bárbara
D’Oeste e Sumaré.
O
estudo faz uma comparação interessante: Botucatu e Cubatão
contam com população semelhante, de 108 mil pessoas, mas
estão em pontos praticamente extremos no ranking de custo do
Legislativo, segundo o novo indicador do Índice de Eficiência
Municipal do IEME (Instituto de Estudos Metropolitanos). Os dados são
oficiais e relativos ao exercício de 2001: enquanto Botucatu
consumiu apenas R$ 934,6 mil para manter a Câmara Municipal, Cubatão
gastou R$ 12,4 milhões.
O
ranking do IEME leva em conta o equivalente ao valor despendido por
morador. Por isso Botucatu é campeã de eficiência
entre as 55 cidades economicamente mais importantes do Estado, com R$
8,63, contra R$ 114,90 de Cubatão, penúltima colocada.
A Grande São Paulo e a Baixada Santista concentram o maior contingente
de municípios perdulários no Legislativo. Paulínia
é a última colocada entre os 55 municípios. Antecedem
Paulínia, pela ordem de maiores gastos: Cubatão, São
Sebastião, São Caetano, Santos, Itu, Barueri, Taboão
da Serra, Cotia, Praia Grande e Jacareí.
O
ranking do Legislativo do IEME se junta ao custo do Executivo e do IPTU
(Imposto Predial e Territorial Urbano) e aos demais impostos municipais,
mas ainda não conclui o quadro de eficiência. Alguns novos
indicadores serão acrescentados.
O
próximo envolverá o índice de vulnerabilidade.
O estudo revelará o ranking dos municípios com base no
quanto arrecadam de impostos diretos e o quanto recebem como repasse.
Um
dos coordenadores da série de indicadores do IEME, o pesquisador
Marcos Pazzini, explica que o ranqueamento do Legislativo obedeceu a
critério mais simples e direto do que os anteriores. "Dividimos
o total consumido por Legislativo pela respectiva população
atendida e atribuíamos o fator de ancoragem classificatória
ao Município detentor do menor valor per capita", disse
Pazzini, que também é diretor da Target Marketing e Pesquisas.
"Qualquer outro critério que fosse utilizado para medir
aspectos como responsabilidade e perdularismo na gestão de dinheiro
público no Legislativo que não contemplasse a despesa
pelo número de habitantes agrediria o bom senso."

De
Jornal D'Aqui, de Cotia - 25/08/03
A Carapicuiba é campeã do Índice de
Eficiência Municipal
Vítima
de grande equívoco na distribuição do ICMS (Imposto
sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), principal
fonte de receitas dos municípios paulistas, Carapicuíba,
na Região Metropolitana de São Paulo, é campeã
do Índice de Eficiência Municipal no quesito funcionalismo
público do setor Executivo, conforme resultado apurado pelo IEME
(Instituto de Estudos Metropolitanos). Em contraste, Paulínia,
na Região Metropolitana de Campinas, fortemente privilegiada
pela distribuição de ICMS, é a lanterninha do mesmo
ranking, uma espécie de Capital dos Gastos Públicos entre
as 55 cidades mais importantes do Estado de São Paulo, coordenado
pelo pesquisador Marcos Pazzini, executivo da Target Marketing e Pesquisas,
e pelo jornalista Daniel Lima, diretor da revista Livre Mercado.
Com
população de 344.596 habitantes, Carapicuiba arrecadou
apenas R$ 80,6 milhões em 2001, ano-base da pesquisa do IEME.
Já Paulínia, com 51.325 mil habitantes, arrecadou R$ 265,1
milhões.
Diferenças demais — Carapicuiba sagrou-se campeã
em menor custo do funcionalismo público porque apresentou a melhor
combinação entre os três vetores metodológicos:
despesa per capita em relação à população
(R$ 86,91), despesa per capita em relação à média
de R$ 339,52 das 55 maiores cidades pesquisadas e média entre
receita arrecadada e despesa per capita com o funcionalismo (37,12%).
A
diferença que separa os gastos per capita entre Carapicuiba,
a campeã, e Paulínia, a lanterninha, é abissal:
com receita arrecadada geral per capita 21,48 vezes maior que Carapicuiba,
embora tenha 6,5 vezes menos moradores, Paulínia gasta per capita
23 vezes mais para a manutenção do quadro de funcionários
públicos.
"As discussões que se estabeleceram até agora para
tentar sensibilizar os legisladores se concentravam na superfície
do quanto determinado município recebia em termos per capita
a mais que os demais, mas agora a história é outra: estamos
provando que as distorções na aplicação
desses recursos colocam, por exemplo, a pequenina Paulínia numa
situação de principado e Carapicuiba como eterna periferia
da periferia da Grande São Paulo" — sustenta Daniel
Lima. O ranking de outros municípios da região: Cotia
- 12º; Taboão da Serra - 13º; Barueri - 37º; Osasco
- 38º; Embu - 43º.

Do
Jornal da Cidade, de Bauru - 29/08/03
IPTU é mal gerenciado em Bauru
Ranking divulgado por instituto coloca a cidade na 45ª posição
entre os 55 municípios mais importantes do Estado
O
Instituto de Estudos Metropolitanos (IEME) constatou que Bauru arrecada
mal o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) considerando-se o
potencial de consumo per capita da população. Estudo feito
pelo órgão classifica a cidade em 45º lugar entre
os 55 principais municípios do Estado no ranking de gestão
financeira do IPTU. O secretário municipal de Finanças,
Raul Gomes Duarte Neto, concorda com a ineficácia e defende a
revisão da planta genérica que embasa a cobrança
do imposto. Pág. 7
Bauru fica em 45º no ranking do IPTU
Patrícia Zamboni
Constatação
é de uma pesquisa feita em 55 cidades; ineficácia é
confirmada pelo secretário municipal de Finanças.
Entre
os 55 municípios economicamente mais importantes do Estado de
São Paulo, Bauru ficou com a 45.ª posição
no ranking de gestão financeira do Imposto Predial e Territorial
Urbano (IPTU) em 2002. Na comparação com o mesmo levantamento
feito em 2001, a queda foi de 17 posições, já que
a cidade havia ficado com o 28.º lugar. Os dados são de
uma pesquisa feita pelo Instituto de Estudos Metropolitanos (IEME).
O estudo leva em consideração a média arrecadada
por habitante associada ao potencial de consumo também por habitante.
Com cerca de 330 mil moradores e detentora de potencial de consumo per
capita de R$ 7.245,98 ao ano, Bauru apresentou em 2002 uma receita de
R$ 51,28 de IPTU por morador.
O
resultado deixou a cidade próxima da média geral do Estado
no potencial de consumo por habitante, que foi de R$ 7.268,72 no ano
passado, mas longe da média da receita per capita de IPTU, que
fechou em R$ 118,88 entre as 55 cidades pesquisadas.
O
volume de IPTU arrecadado no ano passado em Bauru foi maior que o de
2001 - R$ 16,801 milhões contra cerca de R$ 12 milhões,
respectivamente. Contudo, Bauru tem deixado de arrecadar mais ao longo
dos últimos anos por não estar gerenciando de maneira
eficaz sua receita própria. A constatação é
do secretário municipal de Finanças, Raul Gomes Duarte
Neto.
Isso
fez com que, em apenas um ano - de 2001 para 2002 -, a cidade perdesse
muitas posições no ranking de eficiência na gestão
financeira do IEME. “Os municípios estão gerenciando
de forma mais eficaz a sua arrecadação própria,
porque têm diminuído os repasses de verbas por parte dos
Estados e da União. Bauru, infelizmente, não tem conseguido
fazer isso”-- diz o secretário.
Na
avaliação de Duarte Neto, o primeiro -- e urgente -- passo
que precisa ser dado para ajudar na recuperação dessa
situação de defasagem que Bauru se encontra em relação
a outros municípios do Estado é aprovar a revisão
da planta genérica. O projeto está pronto desde o segundo
semestre de 1999, mas já entrou e saiu várias vezes da
pauta da Câmara Municipal e nunca foi votado.
“A
planta genérica é importante para corrigir as distorções
em relação ao valor do IPTU em várias regiões
da cidade. Existem áreas que foram valorizadas e cujo imposto
precisa aumentar. Por outro lado, há outras que estão
com o IPTU acima do que deveria. Isso tem prejudicado a gestão
financeira do imposto pelo município.”
O
presidente da Associação dos Administradores e Corretores
de Imóveis de Bauru (Aciba), José Martinho Teixeira da
Silva - um dos que participou do estudo de revisão da planta
genérica de Bauru em 1999 -, afirma que a prefeitura conseguirá
elevar consideravelmente a arrecadação do IPTU com a aprovação
do projeto. Alguns estudos feitos em 2001 projetavam um possível
aumento em torno de R$ 3 milhões.
“Somente
na região central os valores estão superfaturados e precisam
ser diminuídos. Em todas as outras quatro regiões que
dividem a cidade no estudo os valores têm que ser reajustados
para cima. Isso ajudaria muito a elevar a receita própria do
município, o que conseqüentemente colaboraria para uma melhor
gestão do dinheiro. Mas já faz tanto tempo que o estudo
foi realizado que talvez precise passar por uma nova revisão”,
observa Silva.
Se
essa revisão realmente precisar ser feita, será mais um
golpe para o município. “Mesmo que essa revisão
fosse acelerada, já não daria tempo de o projeto entrar
para a pauta da Câmara ainda neste ano. Ou seja, isso seria jogado
para o ano que vem e, se aprovado, só valeria para 2005. É
muito tempo perdido”, diz o secretário de Finanças.
Segundo
ele, existem terrenos dentro de condomínios localizados em áreas
nobres da cidade onde o metro quadrado custa R$ 3,00, porque ainda pagam
como glebas.
No
ranking de 2002 feito pelo IEME, Bauru perdeu em eficiência na
gestão financeira do IPTU para cidades como São José
do Rio Preto (28.º lugar), Botucatu (34.º), São Vicente
(14.º) e Jundiaí (24.º) - cidades com número
de habitantes semelhante a Bauru.
Metodologia
-- Em sua pesquisa, o IEME prioriza a divisão da receita do IPTU
por habitante pelo potencial de consumo para evitar distorções.
Este índice de consumo é uma espécie de Produto
Interno Bruto (PIB) de despesas de cada município, seguindo um
conjunto de dados oficiais agregados.
“A
construção do índice de eficiência de gerenciamento
financeiro do IPTU simplesmente pelo valor per capita do imposto, sem
considerar a realidade econômica de cada município, provocaria
equívocos de qualificação”, destaca Marcos
Pazzini, dirigente da empresa Target Marketing e Pesquisas - que produz
anualmente o índice de potencial de consumo das cidades.
Daniel
Lima, analista econômico dos indicadores do IEME, interpreta o
novo mapa do IPTU dos 55 municípios mais importantes do Estado
como uma espécie de tobogã. “Houve uma troca intensa
de posicionamentos entre 49 dos 55 municípios listados. Isso
significa, entre outros aspectos, que os executivos públicos
não contam com referencial específico para corrigir os
valores desse imposto.”

Do
jornal O Serrano, de Serra Negra
Instituto cria ranking para avaliar câmaras municipais
O
Instituto de Estudos Metropolitanos – IEME criou recentemente
um ranking de custo dos legislativos que passa a compor o Índice
de Eficiência Municipal. A entidade coletou dados oficiais relativos
ao exercício de 2001. Foram avaliadas as 55 cidades mais importantes,
economicamente no Estado de São Paulo. A entidade dividiu a despesa
anual pelo número de habitantes para obter o gasto per capita
em cada cidade. Cada habitante de Botucatu gastou apenas R$ 8,63 com
sua Câmara Municipal, a menor despesa entre os municípios
avaliados.
Tomando
Botucatu como base, à qual foi conferido o índice 100,
as demais cidades foram colocadas em ordem crescente de gastos. Paulínia
foi a última colocada, com gasto per capita de R$ 162,12 e índice
5,32. Desta vez o município de São Caetano do Sul, sempre
muito à frente dos demais paulistas quando o assunto é
qualidade de vida, foi parar no final da fila com gastos de R$ 62,83
e índice 13,74.
Serra
Negra longe -- Serra Negra não está na lista de cidades
consultadas. Usando os critérios do IEME O SERRANO fez as contas.
Segundo o balancete financeiro de dezembro de 2001 da Câmara Municipal
o total de despesas do Legislativo serrano foi de R$ 367.424,67 naquele
ano, enquanto sua população foi estimada em 24.037 habitantes,
segundo a Fundação Seade, o que dá uma despesa
per capita de R$ 15,28. Com isso o índice de Serra Negra seria
56,47, longe do conseguido por Botucatu.

Do
site Cruzeiro Net, de Sorocaba - 19/09/03
Poder local é destaque em pesquisa de eficiência
de custos
Sorocaba
está entre os dez primeiros colocados no ranking de eficiência
de custos com o Legislativo, segundo pesquisa divulgada em julho pelo
Instituto de Estudos Metropolitanos (IEME). A pesquisa abrangeu os 55
municípios economicamente mais importantes do Estado e levou
em conta o equivalente ao valor despendido por morador. Foram tomados
como referência dados preliminares de cada município referentes
a 2001, com base no Tribunal de Contas do Estado (TCE). A pesquisa tem
gerado desconfiança quanto à metodologia utilizada, porém
os vereadores locais elogiaram a posição de Sorocaba.
Sorocaba
ocuparia a 6ª posição, atrás de Botucatu,
Presidente Prudente, Araras, Franca e Limeira. A Câmara local
teria gasto R$ 4,9 milhões nesse ano e ao considerar uma população
de 493.468 habitantes para a cidade, o IEME identificou média
per capita de R$ 9,93. Botucatu ficou no topo do ranking porque seu
Legislativo gastou a menor quantia por habitante: R$ 8,63. Ao comparar
Sorocaba com localidades de porte semelhante, como Ribeirão Preto
e Santos, nota-se a vantagem da primeira, já que Ribeirão
ficou em 37º e Santos em 51º lugar.
A
assessoria do TCE explicou que dados preliminares foram utilizados,
uma vez que até o fechamento da pesquisa nem todos os municípios
abrangidos tinham suas contas públicas para 2001 aprovadas pelo
TCE. Atualmente, o órgão ainda não dispõe
na Internet de informações atualizados. Se for levado
em conta o gasto atualizado do Legislativo de Sorocaba nesse ano, que
foi de R$ 6.271.469,96, o percentual per capita da cidade subiria para
R$ 12,70. "Caso os números fossem atualizados Sorocaba continuaria
entre as dez primeiras, numa boa posição na pesquisa",
divulgou a assessoria de imprensa do Legislativo local.
Tanto
o atual presidente da Câmara de Sorocaba, Marinho Marte (PFL),
como o vereador Carlinhos da Farmácia (PSDB) - que presidiu o
Legislativo em 2001 -, reconheceram a importância da pesquisa.
Este último informou ter ficado contente ao saber que a Câmara
da cidade mantém uma posição privilegiada no Estado,
conforme a pesquisa do IEME. "Isso reflete o respeito do Legislativo
ao cidadão e à valorização das coisas de
nossa cidade e de nossa gente", destacou Carlinhos.
O
economista Plínio Bernardi Júnior alega que a pesquisa
não mede a real eficiência dos gastos do Legislativo, o
que seria constatada a partir da análise de como o dinheiro foi
aplicado e não apenas do total movimentado. Entre outros tópicos,
destacou ainda que o número de vereadores e assessores também
precisaria ser estudado, assim como a conjuntura política, já
que câmaras com bancadas de oposição tendem a gastar
mais que às de situação. "Mesmo assim a pesquisa
serve de parâmetro para que a população saiba como
a cidade está", frisou.
Responsável
pelo Instituto de Pesquisas de Sorocaba (Ipeso), Victor Trujillo, disse
que a metodologia do IEME é complexa e optou por não opinar
a respeito. Já para o coordenador econômico do IEME, Daniel
Lima, "qualquer outro critério para medir aspectos como
responsabilidade e perdularismo na gestão do dinheiro público
no Legislativo, que não contemplasse a despesa pelo número
de habitantes, agrediria o bom senso". O IEME não pretende
realizar nova pesquisa com os dados de 2001 atualizados, mas anuncia
ainda para este ano novo estudo sobre o assunto, com dados referentes
aos gastos em 2002.

Do
site Agência Interior - 10/10/03
Interior gasta menos
Os
municípios do Interior gastam menos dinheiro público com
o Legislativo e com o funcionalismo no estado. É o que diz o
levantamento do Instituto de Estudos Metropolitanos (IEME). Entre as
55 cidades economicamente mais importantes, 33 são do Interior
e 13 delas estão entre as 20 primeiras classificadas pela eficiência
municipal. A liderança é de Limeira. O município
obteve o maior índice: 76,66 pontos, em escala que vai até
100.

Do
jornal Correio Popular, de Campinas - 28/10/03
Campinas ocupa o 2º lugar em violência urbana
Fábio Gallacci
Carla Silva
Da Agência Anhangüera
Campinas
é a segunda pior cidade para se viver no Estado de São
Paulo quando o assunto é violência urbana. Isto, levando-se
em consideração uma pesquisa realizada pelo Instituto
de Estudos Metropolitanos (IEME), de São Caetano do Sul (SP),
que avaliou apenas os 55 municípios paulistas considerados economicamente
mais importantes. A liderança deste triste título ficou
com a litorânea Praia Grande. A mais tranqüila e primeiríssima
colocada no quesito segurança foi Louveira. Divulgado ontem,
o trabalho – que contou com o suporte do Instituto Fernand Braudel
de Economia Mundial – revelou dados referentes a três categorias
de crimes: homicídio doloso, roubo e furto de veículos,
além de roubos e furtos em geral. A pesquisa relacionou o número
de ocorrências de cada cidade a um universo de 100 mil habitantes,
obtendo as médias desejadas. No locais onde a população
não chega a este patamar, os técnicos mantiveram os mesmos
métodos de avaliação e apenas adequaram os números.
Com notas de zero a 100, o IEME criou um ranking. Campinas atingiu a
nota 10,5.
Especificamente
na pesquisa envolvendo roubo e furto de veículos, a cidade aparece
no terceiro lugar entre os locais mais problemáticos, superada
apenas por São Caetano do Sul e Santo André, localizadas
no ABC paulista. A própria Secretaria Estadual de Segurança
Pública já havia divulgado em seu site oficial na Internet
que o número de furtos em Campinas aumentou 36,48% se comparados
os primeiros semestres de 2002 e deste ano. Nesta pesquisa, a cidade
que poderia atingir 100 pontos registrou apenas nota 6,1.
Em
relação aos homicídios dolosos e roubos e furtos
em geral, os campineiros ficaram na 14ª posição em
ambas as pesquisas. No primeiro item, a nota registrada foi 8,2 e no
segundo somou 38,1 pontos. As cidades de Hortolândia e Sumaré
também aparecem no ranking dos homicídios. O primeiro
município está em sexto lugar no ranking dos mais perigosos
em relação a este tema, ficando com a nota 6,7. O segundo
empatou com Campinas (nota 8,2) e ficou em 15º na lista. Na contagem
geral, Sumaré também ficou na 15ª posição,
com nota 15,8, e Hortolândia na 10ª, com 14,5.
De
acordo com Daniel Lima, fundador e coordenador da base de análises
do IEME, a pesquisa visa direcionar as atenções das autoridades
para os problemas mais urgentes das cidades no setor da criminalidade.
A idéia é realizar um raio-x da situação
de cada uma das pesquisadas para que seus governantes, e até
mesmo a Polícia, possam tomar atitudes mais contundentes. “Estamos
enviando os resultados da pesquisa para todos os deputados estaduais
e federais de São Paulo para que eles tomem conhecimento da real
situação dessas cidades e possam fazer alguma coisa. Governantes
municipais também estarão recebendo o material em breve”,
afirmou Lima. “Esses números mostram, principalmente, a
queda da qualidade de vida nas metrópoles paulistas”, disse
o técnico.
Para
gerar os resultados finais, as três pesquisas iniciais foram integradas
com o peso ponderado de cada ocorrência, distribuídos da
seguinte forma: 60% em relação aos homicídios,
30% para o roubo e furto de veículos e 10% para os roubos e furtos
em geral. “Os dados sobre homicídios, furtos e roubos de
veículos são mais próximos da realidade prática
porque, geralmente, são traduzidos em registros de ocorrências.
Já o furto e o roubo em geral tem um controle mais disperso”,
apontou Marcos Pazzini, integrante da Target Marketing e Pesquisas,
que ajudou no trabalho.
Levando
em consideração todos estes detalhes da pesquisa, Louveira
foi apontada como a cidade com os menores índices de violência
entre as 55 analisadas com a nota 77,9, sendo seguida por Franca, com
66,6 pontos. A terceira foi Presidente Prudente, com 56,5.
Louveira
é a mais tranqüila
Deixar um carro aberto. Ir até a casa de um vizinho sem a preocupação
de ter que passar a chave na porta. Namorar no banco da praça.
Hábitos cotidianos como esse parecem fazer parte de um passado
distante e com tanta violência seria impossível encontrar
uma cidade que tenha essa realidade. Mas essa cidade existe e se chama
Louveira. Localizada a 30 quilômetros de Campinas, o município
aposta na FPI (Força de Proteção Integrada), para
garantir a segurança de seus moradores.
Conhecido
como um programa inovador na área de Segurança Pública,
a FPI é formada por membros de diversas corporações
vinculadas à Divisão da Guarda Municipal, que tem a responsabilidade
de cuidar do patrimônio público, moradores, ronda escolar,
entre outras atribuições. Além de intensificar
o patrulhamento preventivo na cidade, Louveira ainda foi contemplada
com viaturas do resgate. Antes, o município dependia do apoio
das cidades vizinhas como Jundiaí e Campinas. Mas o sucesso de
Louveira não depende apenas de bons programas de segurança,
para coibir a criminalidade a cidade tem investido na capacitação
de cursos profissionalizantes para jovens e adolescentes, sem descuidar
dos projetos para a população carente e de colocar equipamentos
públicos como creches, escolas e hospitais à disposição
dos moradores. (FG e CS/AAN)
Vítima
aponta distribuição de renda como causa
“Acredito que o problema da segurança em Campinas não
depende apenas da ação de bons policiais, mas também
de uma melhor distribuição de renda e investimentos na
área de educação”. A análise não
é de nenhum especialista em segurança pública e
muito menos de um estudioso social e sim de um empresário que
tem know-how quando o assunto é assalto a residência. Vítima
por duas vezes e, num curto espaço de tempo, ele conta os momentos
de terror que passou juntamente com a sua mulher, nas mãos dos
criminosos.
Há
pouco mais de dois meses, a família do empresário, que
não quis ter o nome revelado, foi feita refém de dois
ladrões por mais de quatro horas. Na ocasião, ele morava
no condomínio fechado Xangrilá, em Campinas. “Acredito
que antes de ser assaltado tive a minha vida monitorada pelos bandidos.
Falo isso por alguns fatores, entre eles o fato de terem entrado em
minha casa sem que o sensor do alarme de segurança denunciasse
a presença deles”, contou. Eram 23h quando o empresário
chegou de uma partida de futebol com os amigos e teve o dissabor de
encontrar dois os homens armados no segundo andar da casa, com a sua
mulher.
“Eles
ficaram duas horas conversando sobre tudo. Logo que cheguei fui informado
de que se tratava de um assalto, que estavam ali só para levar
os objetos e que não iam fazer nada conosco”, contou. Mesmo
assim, os momentos de tensão aumentaram quando a segurança
interna do condomínio passava em frente a casa do empresário.
“Eles falavam que iam nos matar”, lembrou. Os criminosos
deixaram o condomínio às 3h e com eles levaram o carro
da família e a mulher do empresário. A tática era
passar pela guarita do condomínio sem levantar suspeitas.
“Enquanto
eu fiquei em casa amarrado, eles levaram a minha mulher até a
favela do Jardim São Marcos. Ela teve que ajudar eles a descarregarem
o carro. Eles pediram que ela fosse ágil pois poderiam ser assaltados
na favela. Depois que as nossas coisas já tinham sido tiradas
do carro, os ladrões ensinaram para a minha o mulher o caminho
de volta para casa. Menos de uma hora depois ela chegava em casa com
o nosso carro”, falou o empresário. O roubo trouxe para
o empresário a sensação de insegurança e
o trauma. A saída encontrada por ele foi mudar-se para um prédio,
que em princípio parece ser mais seguro. “Logo que me mudei
o prédio foi alvo de um arrastão. Cheguei a conclusão
que segurança pública é um problema social, pois
as classes menos favorecidas querem o que nós temos”, concluiu.
(FG e CS/AAN)

Do
jornal Gazeta Mercantil, de São Paulo - 27/10/03
S. André lidera ocorrências no estado
Marcelo Moreira
São
Paulo, 27 de Outubro de 2003 - Presidente Prudente é mais segura;
em 2002 houve 68,2 furtos e 63,5 roubos para cada grupo de 100 mil habitantes.
Presidente Prudente e Santo André ocupam os extremos do índice
de criminalidade entre os 55 municípios economicamente mais importantes
do estado no quesito roubo e furto de veículos por 100 mil habitantes.
Esse é o primeiro da série de resultados que o Instituto
de Estudos Metropolitanos divulgará e que definirá o ranking
geral da modalidade, que se juntará ao IDEE (Índice de
Desenvolvimento Econômico Equilibrado) e IEM (Índice de
Eficiência Municipal), já elaborados pela instituição.
Com 20% de peso relativo na composição do índice
de criminalidade, o indicador colocou Presidente Prudente na liderança
da segurança. O município registrou em 2002 total de 68,2
furtos e 63,5 roubos de veículos para cada grupo de 100 mil habitantes.
A classificação do IEME leva em conta os 55 municípios
economicamente mais importantes do estado e está baseada no banco
de dados do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial, em São
Paulo.
Já em Santo André, na Grande São Paulo, o quadro
é completamente diferente. No mesmo período foram registrados
704,4 furtos e 1.716,6 roubos para cada grupo de 100 mil habitantes.
Entre os 11 municípios que ocupam as últimas posições
no ranking de roubo e furto de veículos, nove estão na
região metropolitana de São Paulo, área que responde
por quase metade da produção industrial e por pouco mais
da metade do potencial de consumo do Estado, segundo dados da Target
Marketing e Pesquisas, empresa que atua em parceria com o IEME. Já
a maioria dos melhores colocados pertence ao Interior ou à Baixada
Santista.
Potencial e eficiência
São Caetano lidera no estado o Índice de Desenvolvimento
Econômico Equilibrado, que abrange Valor Adicionado, IPVA, Inclusão
Digital, ISS e Potencial de Consumo. Limeira é líder do
Índice de Eficiência Municipal, que reúne IPTU,
despesas com o funcionalismo do Executivo e despesas com o Legislativo.
Com 835,8 ocorrências para cada grupo de 100 mil habitantes, Embu,
na Região Metropolitana de São Paulo, apresenta o melhor
resultado no ranking de roubos e furtos do IEME (Instituto de Estudos
Metropolitanos). Araçatuba, a noroeste do Estado, com 3.301,7
casos, ocupa a última posição - ou seja, é
o endereço onde mais se praticam os dois tipos de delito.
Diferentemente do ranking de roubos e furtos de veículos, o quadro
classificatório de roubos e furtos diversos produzido pelo Instituto
de Estudos Metropolitanos coloca oito entre os 10 endereços mais
seguros na Região Metropolitana de São Paulo.
Depois de Embu, seguem na classificação Louveira, Itaquaquecetuba,
Cajamar, Carapicuíba, Barueri, Mauá, Guarulhos, Suzano
e Sumaré. Entre os 10 últimos colocados - e, portanto,
mais vulneráveis às ocorrências -, também
se verifica inversão do quadro verificado na composição
do ranking de roubos e furtos de veículos.
Os endereços interioranos prevalecem na geografia do crime: a
lanterninha Araçatuba é seguida de perto, em ordem imediatamente
decrescente, por Praia Grande, Bauru, Santos, São José
do Rio Preto, São Sebastião, Ribeirão Preto, Botucatu,
São Paulo e Marília.
Apenas os quatro primeiros colocados do ranking de roubos e furtos não
ultrapassam a mais de mil ocorrências por 100 mil habitantes,
padrão de medida adotado pelo Instituto Fernand Braudel. Embu,
Louveira, Itaquaquecetuba e Cajamar conseguem escapar da marca. Apenas
a lanterninha Araçatuba ultrapassa a faixa de três mil
ocorrências por 100 mil habitantes.
Distante apenas 60 quilômetros da Capital, Louveira é a
campeã de qualidade de vida quando o assunto são homicídios
dolosos. Já Embu, na Grande São Paulo, é o pior.
Essa é a nova conclusão do IEME (Instituto de Estudos
Metropolitanos), com suporte de dados do Instituto Fernand Braudel.
O padrão de medida adotado pelo Instituto Fernand Braudel é
internacional: ocorrências para cada grupo de 100 mil moradores.
Ponderação de indicadores
O ranking final do Índice de Criminalidade será anunciado
hoje pelo IEME. O resultado decorrerá da ponderação
dos três indicadores. O pesquisador Marcos Pazzini, da Target
Marketing e Pesquisas, e o analista de dados Daniel Lima, os principais
analistas e coordenadores do instituto, afirmam que os pesos não
serão equivalentes.
"O critério de peso relativo dos componentes do Índice
de Criminalidade será divulgado segunda-feira. O que podemos
adiantar é que o quesito homicídios dolosos terá
maior incidência", diz Pazzini. "Não restará
dúvida de que o quadro econômico em crescente queda na
Região Metropolitana de São Paulo contaminará o
ranking." Durante todo o ano passado Louveira, que detém
população de 23,9 mil habitantes, registrou apenas um
homicídio doloso, enquanto a lanterninha Embu, de 207,6 mil habitantes,
contabilizou 162 casos.
Segundo o Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, preparado pelo
Pnud (Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas),
a renda média de Louveira em 2000 atingiu R$ 341,3, contra R$
244,2 de Embu.
No período de 1991-2000, o Índice de Desenvolvimento Humano
Municipal (IDHM) de Louveira cresceu 6,67%, passando de 0,750 para 0,800.
O IDHM de Embu cresceu menos da metade no mesmo período (3,07%),
passando de 0,749 para 0,772.
Homicídios.
O ranking de homicídios dolosos do IEME apresenta apenas dois
municípios da Região Metropolitana de São Paulo
entre os que obtiveram melhores resultados, casos da quinta colocada
São Caetano e da 15ª Cajamar.
Os demais primeiros 20 colocados estão no Interior paulista.
Já entre os 10 piores endereços municipais nesse tipo
de ocorrência criminal, seis estão na Grande São
Paulo, três no litoral e apenas um, Hortolândia, no interior.
kicker: Melhores colocados pertence ao Interior ou à Baixada
Santista
(Gazeta do Brasil14) (Marcelo Moreira).